domingo, 13 de abril de 2014

Sete crianças que tocaram o terror

Livros em lista

 Rostos angelicais, sorrisos inocentes, aparência frágil... e uma coração maligno. Elas mentem, traem, torturam e matam como qualquer adulto com o dobro de seu tamanho. Na literatura há poucos exemplos de crianças assustadoras, mas a capacidade de fazer o mal compensa a sua minoria.

 Ângelo


  Apesar do título e do tema, esse livro não tem relação alguma com o filme estrelado por Macaulay Culkin na década de 90. Mas nem por isso Ângelo deixa algo a dever ao vilãozinho do cinema. Um belo menino, que encanta as visitas com seus cachos castanhos, seu rosto de querubim e seus modos educados, mas é capaz das maiores atrocidades contra quem atravesse seu caminho. Criado com todo o mimo pela mãe, que nutria por ele uma devoção sem limites (na verdade chegava a dar no nervos a sua insistência em tratá-lo como um bebê), tinha tudo de melhor que a vida podia oferecer e ai daquele que se atrevesse a conturbar seu mundo perfeito. Sua condição de criança lhe permitia cometer os mais terríveis atos para tirar do caminho qualquer pessoa que não fosse conveniente aos seus planos. De vandalismo à homicídio, a trilha de crimes cometidos no decorrer do livro demonstram que não é só o ambiente que forma o caráter de um ser humano e sim que já nascemos com determinada índole.
Peter

 Trata-se da história de uma babá que é amarrada à cama por um grupo de “ crianças” e sofre uma série de torturas.  Na verdade  as idades aí variam, dos 10 aos 17 anos, portanto, alguns são adolescentes.  Todos os cinco personagens são de causar arrepios tamanha sua crueldade, malícia e indiferença com o sofrimento alheio, porém um deles me perturbou de modo específico. Paul tem 13 anos, é uma criança quieta, introvertida e com algumas oscilações de humor que demonstram a sua instabilidade. Tem fascínio por assassinatos, principalmente os sangrentos e delicia-se com a situação da babá, que está totalmente à sua mercê e, dessa forma, é vista como objeto de seu sadismo. Paul é o protótipo do tirano, do déspota que aplica sua crueldade como forma de demonstração de poder.

Curiosidade:  Dizem que o livro é baseado na história de Sylvia Likens, uma jovem submetida a terríveis torturas nas mãos de uma família, cuja morte foi um  caso de  grande comoção nos Estados Unidos.

Evan
 Evan é bem mais que uma criança problemática. É um psicopata, capaz de explodir em ataques de extrema violência. Evan é traiçoeiro, se aproxima sem dar indícios de duas verdadeiras intenções e quando menos se espera, dá o bote. Responsável pela dissolução do casamento de seus pais, o garoto parece piorar à cada novo surto e para sua mãe o único caminho é procurar ajuda profissional. Mas até que ponto ele pode ser controlado? Qual é a fronteira entre um desvio de caráter e um mal patológico? Apesar de não fazer parte da trama central do livro, Evan consegue roubar a cena em boa parte da história e os capítulos em que aparece são de um suspense excepcional. A passagem na qual ele conhece um amiguinho novo durante um passeio num parque é de causar desespero. Grande sacada da sempre em forma Lisa Gardner.


"Imagino se esta será a noite em que ele finalmente vai me matar. 
Este é Evan, o meu filho. 
Ele tem 8 anos" 

Kevin
Responsável por uma chacina no colégio, Kevin parece ser apenas mais um desses adolescentes que surtam e saem espalhando a morte ao seu redor. Sua vida é aparentemente normal, saudável, nascido numa família com recursos, com pais esclarecidos que, aos olhos dos vizinhos, viviam em perfeita harmonia. Porém não é preciso ir muito à fundo para identificar que havia algo de muito errado naquela família. Eva, mãe de Kevin, não se sentia pronta para a maternidade quando o concebeu e essa gravidez indesejada refletiu no seu relacionamento com o filho. Apesar do tema violento, há muita emoção no correr das páginas e a história nos faz refletir sobre o grande erro de assumir responsabilidades para as quais não estamos preparados.
 O livro foi levado aos cinemas e ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Londres de 2011. 


Claudia 
 Em 1972 Anne Rice perdeu sua filha de oito anos para a leucemia. Pouco tempo depois concluiu seu livro Entrevista com o Vampiro, no qual uma das personagens principais era Claudia, a menina vampira. Uma criança que não podia morrer.
Uma das personagens mais marcantes da autora e também um ícone na literatura gótica, a garota até hoje assombra não só seus "pais" Lestat e Louis como também o célebre vampiro Armand, que em seu livro dá uma nova versão sobre sua morte. Versão esta que não me convenceu muito, diga-se de passagem.
Recentemente voltou como personagem principal na versão HQ de Entrevista com o Vampiro,  cuja história, desta vez, será contada por seu ponto de vista.


Victor Jr

Robin Cook reinventou a história de Frankeinstein, desta vez tendo como cenário os laboratórios de engenharia genética do final dos anos 80. Se hoje a fertilização in vitro, apesar de comum, é um campo ainda pouco conhecido pelo grande público, imaginem como tais experiências eram vistas há vinte e tantos anos.
O mito criado por Mary Shelley, de gerar seres humanos através da ciência se tornara realidade, mas seria possível reproduzir a concepção natural sem correr o risco de enfrentar os efeitos colaterais? Para o cientista Victor Frank nem tudo saiu perfeito. Seu filho, o protótipo do ser humano perfeito realmente era um prodígio. Tinha um QI de gênio, habilidades extraordinárias no esportes, ótima saúde e era emocionalmente equilibrado. Mas debaixo de todas essas qualidades, havia algo de monstruoso. Nada parecido com um gigante verde com parafusos na testa, mas algo de muito mais sutil e exatamente por isso, muito mais destrutivo.
 O final deixou uma porta aberta para uma continuação que até hoje não rolou. Mas quem sabe...
Jodie
Nem sempre a maldade é inerente à alma humana. Há também ocasiões em que somos produto do meio ambiente. E esse livro, baseado em fatos reais, é uma prova disso. Após sofrer abusos desde que era um bebê, Jodie é resgatada pelo serviço serviço social e acolhida por uma família pouco tempo depois. Mas logo seu temperamento irascível faz com que seja passada de um lar a outro, sem que ninguém consiga suportar sua agressividade, raiva e rancor indiscriminados.
Por mais amor que receba, Jodie só consegue devolver violência. Diz palavrões, faz perguntas inconvenientes, não sabe demonstrar alegria e até mesmo muda sua personalidade de acordo com as circunstâncias. Mas tudo isso se resume no trauma sofrido na infância e em seu medo de que todo aquele horror se repita. Por mais doloroso que seja saber que se trata de um caso verídico, há também um sentimento gratificante em tomar conhecimento de que existem pessoas tão dedicadas ao próximo e empenhadas em ensinar a amar.  

18 comentários:

  1. Depois de ler seu texto sobre Elizabeth Haynes, vim stalkear seus outros textos.
    Tá, me identifiquei muito com esse.
    Primeiro porque adoro Thrillers e adoro personagens infantis. E, depois que li Viva Para Contar, percebi que essa união torna tudo melhor.
    Essa lista me faz querer ler todos, pois só conhecia o Kevin, mas ainda não li.

    Adorando o blog, textos, dicas...
    Abraços

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  2. Crianças geralmente rendem bons personagens mesmo, e crianças malvadas então...

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  3. Adorei a postagem. Não conhecia alguns dos livro e vou procurar para ler pois me interesso bastante pelo assunto. Já tinha visto Infância interrompida e Precisamos falar sobre o Kevin, mas ainda não tinha lido. Me interessei por Quando os Adams saíram de férias também.

    Blog Prefácio

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  4. Nunca tinha ouvido falar dessa obra da Taylor Caldwel. Agora fiquei super curiosa. Obrigada pela dica. Suas resenhas são excelentes.

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  5. Muito massa o texto!!! E parabéns pelo blog!!!

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  6. Não conhecia a maioria dos livros, mas alguns já vão entrar para minha lista. Mutação parece ser um bom livro, a única coisa que não gostei muito é que não tem um final certo, e depois de tanto tempo não sei se ainda terá continuação né.. Infância Interrompida eu já tinha ouvido falar e agora fiquei ainda mais curiosa em ler, queria saber em qual história real ela foi baseada.
    Beijo!
    http://booksmanybooks.blogspot.com.br/

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    1. Patricia, Infância Interrompida foi escrito por uma cuidadora de crianças. O livro conta sua experiência com a garota em questão. É uma história comovente.

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  7. Olá Ronaldo. Já li Entrevista com oVampiro,mas gostei muito de Mutação. Aliás,Robin Cook é fera!!!!Bjs

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  8. A Maioria eu vi em filmes.
    Mas de todos o que eu tô com mais vontade de ler é We Need To Talk Above Kevin,
    Por que se o filme e incrível o livro deve ser deslumbrante.
    Beijos
    http://www.conversasdealcova.com/

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  9. Interessante! Nunca imaginei que Taylor Caldwell tivesse escrito este gênero de livro. A conheço por Médico de Homens e de Almas. Fiquei curiosa para ver como ela desenvolve esta trama.

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    1. Taylor era muito versátil, escreveu livros nos mais variados estilos e esse não deixa a desejar.

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  10. "Precisamos Falar Sobre Kevin" foi um d os livros mais impressionantes que li nos meus 51 anos de vida, e olha que não li pouca coisa não. Parabéns pela postagem e o blog!

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  11. Já leu Menina Má de William March? Acho que Rhonda merece um lugar nessa lista!

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    1. Li sim, mas essa lista foi publicada em 2014, bem antes do lançamento do livro aqui.

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