quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sete melhores leituras de 2015





 Nunca sei quantos livros leio por ano, mas 2015 foi bem produtivo. Li muita coisa boa e aqui estão os que mais se destacaram. Todos foram resenhados no blog, por isso não vou repetir a resenha, mas falar brevemente de minhas experiências lendo cada um deles.


O Vilarejo

 O único defeito desse livro é que ele é curto demais. Sei que às vezes reclamo dos livros longos de Stephen King, mas nesse caso, os contos de Raphael não tem mais que quinze páginas cada um e as histórias são tão absorventes que você  quer mais. Mas o cara tem uma capacidade de concisão, que cada conto é amarrado primorosamente. Recomendo muito e o preço é bem convidativo.


 O Colecionador de Peles

 Jeffery Deaver se superou com esse livro. Eu devorava as páginas tamanha a sua capacidade de criar situações intrigantes. Sabe aquele livro que te surpreende à cada página? Reviravoltas das mais inesperadas tornaram essa leitura um turbilhão de emoções. Só não curti os spoilers gravíssimos de O Colecionador de Ossos. Por mais que as alusões ao outro livro fossem necessárias, acho que o autor deveria ser mais reticente.




Histórias Para Noites Sem Luar

 Essa foi uma releitura. Adorava pegar na biblioteca pública os livros dessa coleção e esse foi um dos que mais marcaram minha adolescência. E revisitá-lo foi delicioso. Consegui resgatar a sensação que tive ao lê -lo pela primeira vez, há quase vinte anos, quando a leitura era ainda um mundo novo e cada novo livro iniciado era como se lançar numa aventura. Hoje, sou mais crítico e nem tudo me impressiona tanto, mas com essa releitura viajei no tempo e voltei a ter aquela entusiasmada ingenuidade.


Guerra Civil

 Sou suspeito para falar de quadrinhos, porque adoro esse universo. Não chego a ser um nerd, tanto que não chamo quadrinhos de HQ, mas gosto das histórias e, principalmente, fico fascinado pela dimensão que os personagens tomam, invadindo as séries de TV, o cinema e até protagonizando musicais. Mas quando soube dos livros, não botei muita fé. Quadrinhos e literatura são áreas muito diferentes. Porém, resolvi arriscar e me dei bem. Lia cada página com um entusiasmo que há muito não sentia e perdi o preconceito quanto a esse novo gênero que está crescendo tanto.


O Peão

 Sou grato a Mari do blog S2 Ler por essa indicação. Steven James não tem um texto dos mais caprichados, mas esse livro é pura adrenalina e, pelos comentários que leio por aí, todos os outros são assim. Ainda não li mais nenhum, mas O Peão foi o suficiente para me convencer a acompanhar essa série.


O Predador

 Acompanho essa série desde o início e, apesar de ter curtido os últimos volumes, achei que Tess estava perdendo a mão. Muitos dos elementos que mais me atraíam em seus livros estavam desaparecendo, como os detalhes forenses, a intimidade de Rizzoli e seu marido e as revelações inesperadas à cada capítulo. Mas Tess recuperou sua velha forma e assim, manteve a fidelidade de mais um fã.


Escuridão Total Sem Estrelas

 Um livro de Stephen King é sempre algo muito esperado e o lançamento de um livro de contos do mestre tem um sabor ainda mais especial. Apesar de gostar de escrever seus famosos tijolões, Stephen manda muito bem quando escreve textos curtos e esse livro é uma prova de que ele não precisa de muitas páginas para nos apavorar. Melhor leitura do ano!


 Esses foram meus sete melhores momentos na literatura em 2015. E vocês, quais livros mais lhes marcaram esse ano? Comentem e quem tiver um blog e fez também sua lista de top 2015, coloque o link que vou lá conferir. Um feliz ano novo e desejo a todos ótimas leituras em 2016.







sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Guerra Civil - Stuart Moore


Sinopse

Quando uma trágica batalha deixa provoca a morte de centenas de pessoas, o governo americano exige que todos os super-heróis revelem sua identidade e registrem seus poderes. Para Tony Stark o Homem de Ferro é um passo lamentável, porém necessário, o que o leva a apoiar a lei. Para o Capitão América, é uma intolerável agressão à liberdade cívica. Assim começa a Guerra Civil. Os dois amigos se tornam então adversários, cada um liderando uma equipe numa batalha de proporções épicas.

Resenha

Confesso que quando me deparei com essa onda de novelizações de histórias em quadrinhos, não me entusiasmei. Assim como alguns livros baseados em filmes não deram certo, achei que transformar algo essencialmente visual num livro, resultaria numa bananada só. Imaginei o autor se embaralhando todo ao tentar descrever uma daquelas empolgantes cenas de batalha e assim, confundir totalmente o leitor. Mas tive uma ótima surpresa ao descobrir que o texto era muito fluído, que as páginas voavam sem que eu percebesse e que cada cena de batalha era transmitida de modo preciso, sem desperdiçar palavras, comunicando apenas o que interessava. Stuart foi muito feliz ao traduzir para a linguagem literária toda a emoção dos quadrinhos.

O autor se esforçou em não retratar o Homem de Ferro como um vendido, já que ele está do lado do governo, usando todos os seus recursos para obrigar os heróis a obedecerem a nova lei de registro, que revelaria ao público suas identidades secretas e restringiria suas ações. Tony Stark tem de usar todo o seu poder de fogo para capturar os rebeldes liderados pelo Capitão América e isso resulta num conflito com consequências catastróficas, inclusive, custando a vida de um de seus adversários. Mas, apesar de Tony demonstrar sentir um profundo pesar por ter de atacar seus antigos parceiros, eu não me sensibilizei com seu sofrimento e nem concordei com as suas razões. Acho que ele até poderia concordar com a lei de registro e enquadrar-se nela, mas daí a obrigar seus colegas a segui-lo, já há uma grande distância. Homem de Ferro não precisava se aliar ao governo e à S.H.I.E.L.D para fazer com que a lei fosse cumprida. Fiquei com uma puta raiva de Tony e concordei plenamente quando Demolidor o comparou a Judas. Outro acerto do autor foi a construção do Homem Aranha. Stuart transmitiu toda a leveza do personagem, que oscilou entre os dois lados da batalha e cuja participação foi fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Ele foi o coringa do jogo e desempenhou seu papel sem perder seu jogo de cintura.

Quanto ao final, o incidente que deu fim à batalha foi totalmente inesperado para mim. Não esperava que o conflito fosse resolvido daquela maneira, sutil por um lado e impactante por outro. Foi um bom desfecho, mas o anticlímax que senti me incomodou. Já do final reservado ao Capitão América, meu querido Capitão, detestei. Sei que foi coerente com seus ideais, mas ele merecia mais.

Guerra Civil foi minha feliz incursão nesse novo gênero literário e espero que essas novelizações tenham vida longa. É mais uma maneira de atrair um novo público para o mundo dos livros. Sem falar, que encontrar personagens tão conhecidos à cada página (foram muitos os heróis que marcaram presença), cria uma expectativa maravilhosa durante a leitura. É claro que, quanto mais conhecemos os heróis e seus conflitos, melhor é o sabor da leitura, mas mesmo se você os conhece apenas dos desenhos que via quando era criança, vale a pena se aventurar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Desconhecida - Peter Swanson


Sinopse

Uma história sombria, em uma atmosfera romântica e um quê de Hitchcock, sobre um homem que fora arrastado para uma trama irresistível de paixão e assassinato quando um antigo amor reaparece.de mentiras.Em uma noite de sexta-feira, a rotina confortável e previsível de George Foss é quebrada quando, em um bar, uma bela mulher senta-se ao seu lado. A mesma mulher que desaparecera sem deixar vestígios vinte anos atrás. Agora, depois de tanto tempo, ela diz precisar de ajuda e George parece ser o único capaz de salvá-la. Será que ele a conhece o suficiente para poder ajudá-la?

Resenha 

A referência aos filmes de Hitchcock foi o motivo decisivo para que eu comprasse o livro. Sou fã do diretor e a promessa de uma narrativa repleta de suspense, ação e uma pitadinha de romance me deixou com água na boca. Logo de início senti uma certa influência dos filmes de suspense das décadas de 50 a 70. Um mocinho ingênuo, que se apaixona por uma mulher de índole duvidosa e que o envolve numa trama cheia de perigos; Um gângster violento, perseguindo esse rapaz; Mistérios, um roubo e um assassinato. Ou seja, um típico romance noir. Senti bastante semelhança com o estilo de Cornell Woolrich, principalmente na ênfase aos sentimentos do personagem principal. George é um cara solitário, apaixonado por uma colega de faculdade com quem teve um conturbado romance.  

O livro é dividido entre o passado, quando George conheceu a misteriosa Liana na faculdade e o presente, pegando como ponto de partida o reencontro de George com essa mulher. Dá muita raiva da ingenuidade e passividade de George que age como uma marionete nas mãos de Liana. Já de início o autor deixa claro que não há nenhuma dubiedade no caráter da personagem, ou seja, não há dúvidas de que ela é uma salafrária, evidenciando o quanto George se deixa manipular. Conforme vamos conhecendo mais sobre o passado de ambos, ficamos mais certos de que George sabe que sua ex namorada não vale um centavo, mas mesmo assim ele se deixa enveredar por suas maquinações. E aí não dá para ter empatia pelo protagonista.

A narrativa é bem movimentada, há enigmas bem intrigantes com soluções satisfatórias que nos vão sendo apresentadas no decorrer da leitura, enquanto outras perguntas ficam com as respostas guardadas somente para o final. É uma trama bem inteligente, apesar de nos momentos finais o autor criar alguns lances bastante forçados que tiraram muito do meu entusiasmo. Mesmo assim o classificaria como um bom livro policial, não fosse o final inconclusivo. Quando virei a penúltima página e me deparei com os agradecimentos do autor me senti como uma criança cujo brinquedo foi arrancado das mãos no melhor da brincadeira. Esperava um final apoteótico para compensar os tropeços finais do autor, mas esse não veio. Na verdade, nem sei se dá para chamar aquilo de final.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Sete falsianes da literatura

Eve

Apesar de ser uma graduada HBS e um gênio da tecnologia, Eve era apenas uma assistente na revista de moda Glossy. Mas era ambiciosa, queria subir de cargo e a oportunidade surgiu quando sua editora chefe, Imogen, se afastou devido a uma licença. Apesar de boa gente e muito competente, Imogen mal sabia usar um celular e Eve se aproveitou disso para usar todo o seu conhecimento digital para transformar a revista num aplicativo e roubar a função de sua chefe. Ao voltar de licença, Imogen vê seu cargo ameaçado por uma pirralha e terá de se adaptar às novas tecnologias para derrotar essa falsiane.

Greta

Quando a vizinha Nacy apareceu, Greta logo notou que havia algo de estranho. A jovem não parecia ser quem dizia. Sua história não a convencia, seus óculos eram falsos, o cabelo mal tingido e muitas vezes ela não atendia pelo nome de Nancy quando a chamavam. Greta não se importou muito com isso, mas quando percebeu que a misteriosa mulher tinha uma grande quantidade de dinheiro escondido, as coisas mudaram. Se no começo se mostrou bem intencionada, tentando identificar os problemas de Nancy, logo revelou-se uma oportunista capaz de lucrar em cima dos segredos de sua colega. Mas em se tratando do caráter da vítima " Nancy", até gostei do que essa falsiane fez.



Polly

Após ficar viúva, Polly e seus filhos são acolhidos na casa de Rose, uma velha amiga que mesmo com a desaprovação do marido, se dispõe a recebê-los por um breve período. Mas, apesar de toda a ajuda que recebe, Polly não demonstra a mínima gratidão. Vendo suas explícitas demonstrações de egoísmo, Rose começa a questionar o quanto conhece a amiga. E quando percebe que Polly está tentando sutilmente assumir o seu lugar, o estrago já é grande e parece ser tarde demais para reagir. Logo Rose se vê perdendo o controle de sua próprio lar, que é tomado pela presença devastadora de sua hóspede.


Kate

Uma das mais queridas personagens de Sidney Sheldon é também uma das maiores falsianes da literatura. Uma mulher que nunca mediu esforços para conseguir seu maior objetivo: o sucesso da empresa da família. Para isso, enevenenou o noivado de David Blackwell, não só para impedir que ele deixasse a diretoria e seguisse outro rumo profissional, mas porque o queria como seu marido; fez com que seu filho sofresse uma grande decepção e continuou-o manipulando até que ele tomou uma atitude drástica; e foi capaz de apelar para seus encantos pessoais para impedir um funcionário eficiente de se demitir. E, mesmo cometendo todas essas maldades, Kate conquistou o coração do público. Aprendam com ela, sejam falsianes, mas com dignidade.


Nelly O”Hara

Nos tempos das vacas magras, Neely dividia o apartamento com a amiga Anne. Ambas lutavam pelo sucesso profissional, cada uma em sua área. Anne como executiva e Neely como artista. Mas após estourar como atriz e cantora, Neely mudou e, a jovem sonhadora se tornou uma mulher mesquinha, frívola e amarga. E, mesmo sabendo que o casamento de sua amiga Anne estava em crise, não hesitou em contribuir para afundar ainda mais a relação do casal, tendo um caso com o marido da outra. Tudo bem que Lyon era um galinha desavergonhado, mas amiga que é amiga não se aproveita da situação dessa forma. 

Julianna

Julianna é uma jovem imatura, que engravida do homem errado e decide entregar a criança para adoção. Ao ler o perfil do casal candidato à  ficar com seu filho, ela se sensibiliza com a descrição do amor que Richard sente pela esposa Kate e se apaixona por ele, mesmo sem conhecê-lo. Decidida a se aproximar do homem que será o pai de seu filho, ela se emprega como sua secretária, mas isso não é o suficiente. Juliana decide roubar o marido de Kate e faz de tudo para minar a relação dos dois. Aproveitando-se do ciúme que Richard desenvolve  o ver Kate se dedicando exclusivamente ao bebê e deixando-o em segundo plano, Juliana se  torna cada vez mais presente na vida do rapaz e ao mede esforços para afastá-lo da esposa.

Natalie

Num dia a pessoa está chorando em seu ombro após descobrir que é adotada. No outro ela toma o seu namorado, sem demonstrar o mínimo remorso, desfilando com ele pela escola e te fazendo pagar de chifruda. Essa é Natalie, que apesar de nunca ter sido amável com Callie, recorreu a ela num dos momentos mais difíceis de sua vida e teve todo o apoio. Para logo depois seduzir seu namorado Harry. É o que dá baixar a guarda quando um falsiane se aproxima.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Até Você Ser Minha - Samantha Hayes


Sinopse

A assistente social Claudia Morgan-Brown está prestes a dar à luz uma menininha e, atribulada com seu trabalho, precisa de uma babá para os gêmeos Oscar e Noah, filhos do primeiro casamento de seu marido James. Eles decidem contratar uma babá. Zoe Harper quer muito o emprego. Com as melhores recomendações, ela conquista os gêmeos e se muda para o lar do casal. Mas Claudia logo percebe que a mulher tem outros motivos para se aproximar da família. As suspeitas de Claudia se transformam em verdadeiro terror quando começa a ocorrer uma série de ataques brutais a mulheres grávidas na cidade. Os investigadores Lorraine Fisher e Adam Scott, casados e com problemas conjugais, são forçados a deixar suas questões pessoais de lado e correr contra o tempo para  encontrar o assassino antes que ele cometa mais um crime.

Resenha

Achei esse livro espetacular, porém grande parte do impacto do final se perdeu devido a algumas resenhas que li. Os blogueiros até que foram cuidadosos para não soltar spoilers, mas apenas pelas reações diante do desfecho da história, adicionadas à estrutura do enredo, já me deixaram preparado para a surpresa final. Desse modo, não comentarei detalhadamente o que achei do final, apenas que ele faz o livro valer muito a pena.

Mas esse romance policial, com toques de drama, não se destaca apenas pelos acontecimentos chocantes das últimas páginas. Até Você Ser Minha é cuidadosamente escrito, uma espécie de bordado literário, com três protagonistas que nos fascinam cada uma por um atrativo diferente.

Temos Claudia, o fio condutor da história, uma mulher sofrida, que tem um intenso desejo de ser mãe e, após ter perdido seu bebê, conseguiu novamente engravidar. Casada com um viúvo, tem como enteados, dois garotos gêmeos, a quem deseja conquistar, mas cuja aproximação é sempre difícil. A outra personagem é Zoe, a babá contratada por Claudia para cuidar dos gêmeos devido ao avanço de sua gravidez. Zoe é um completo mistério. Logo a autora deixa claro que a babá não é quem diz ser, que forjou sua identidade e que tem propósitos escusos dentro daquele lar. E, por último, mas não menos importante, há Lorraine, a detetive que investiga o caso de mulheres grávidas sendo atacadas por algum maníaco, que as mata retalhadas, arrancando as crianças de seu ventre. Uma mulher dedicada ao trabalho, cujo casamento está em crise.

O livro alterna os pontos de vista dessas três personagens à cada capítulo, sendo que no caso de Claudia e Zoe a narrativa é em primeira pessoa. No caso da detetive, mesmo sendo suas cenas narradas em terceira pessoa, a sua proximidade com o leitor é tão intensa quanto a das outras personagens. O universo de cada uma é muito bem explorado. Conhecemos o difíicl trabalho de assistente social de Claudia, nos intrigamos com os mistérios envolvendo Zoe e nos emocionamos com os dramas pessoais de Lorraine. Tudo convergindo para um final estarrecedor. Um macabro passeio pelo lado sombrio da mente humana.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A decepcionante continuação de um grande sucesso - Em Busca de Um Novo Amanhã - Tilly Bagshawe


Sinopse

Na companhia de Jeff Stevens, Tracy Whitney foi responsável por alguns dos maiores assaltos do mundo. Mas, apesar de adorar a adrenalina que essa vida lhe proporciona, quando ela e Jeff se casam, eles fazem um trato: deixar o passado de crimes para trás e formar uma família. Tracy se esforça para adaptar-se à nova rotina, mas ela sente que falta algo para que seja realmente feliz: um bebê. Porém, à medida que os meses passam e a tão desejada gravidez não acontece, ela se sente cada vez mais infeliz. Quando uma misteriosa e envolvente mulher surge na vida do casal, a até então indestrutível parceria deles é abalada. Um belo dia, Jeff acorda e descobre que Tracy desapareceu. Por mais de dez anos, ele faz o possível para descobrir o paradeiro da amada mas, como o restante do mundo, acredita que ela esteja morta... até que uma série de assassinatos leva um audacioso detetive francês a acreditar que a vigarista está envolvida nos crimes. Tracy Whitney está mais uma vez no centro de uma misteriosa trama. A diferença é que, agora, ela tem tudo a perder, inclusive o homem que continua a amar.

Resenha


Se Houver Amanhã foi publicado em 1985 e ambientado naquela mesma época. A última cena mostra a protagonista Tracy Whitney num avião, rumo ao Brasil, decidida a viver uma nova vida. Em Busca de Um Novo Amanhã retoma a história justamente nessa cena: Tracy no avião, encontrando Max Pierpoint. Porém, logo de cara me deparo com um anacronismo horrendo: comenta-se que Tracy escreveu um artigo na Wikipédia. Como assim, Wikkipedia em 1985? Achei que fosse um tropeço da autora e segui em frente. Mas logo percebi que a história estava se passando nos anos 2000! Como é possível uma pessoa entrar numa avião em 1985 e sair dele vinte anos depois? Não houve um intervalo, compreendem? A história continua de onde parou, com Tracy em seus vinte e poucos anos, mas é ambientada no começo desse século. A autora ignorou a cronologia dos acontecimentos, praticamente desmentindo Sidney Sheldon no livro anterior. Achei isso, além de bizarro, de uma falta de respeito imperdoável com a obra do mestre. É como se o livro anterior não houvesse existido. Como se Tracy e os demais personagens fossem obra dela e estivessem aparecendo pela primeira vez. Tanto que Tilly lança tantos spoilers de Se Houver Amanhã, que quem não o leu, perderá a vontade. Ela faz tantas recapitulações do primeiro livro, que parece estar nos dizendo: “ Não precisam ler se Houver amanhã, eu conto tudo pra vocês.” Como se ela tivesse competência para recriar uma das obras primas de Sidney Sheldon. Não entendo como a família pôde permitir esse insulto à memória do mestre.


A partir de então, o livro perdeu todo o encanto. Só consegui continuar lendo, admitindo para mim mesmo que essa não era a mesma Tracy Whitney de Sidney Sheldon. Eram outros personagens, com os mesmos nomes, mas num universo paralelo. E realmente, eles parecem outros personagens. Tracy em nada se parece com a mulher brilhante do primeiro livro. Ainda pratica seus golpes, mas são tão amadores que eu me espantei de Max Pierpoint, um espertalhão, cair num deles. Tilly não tem a mesma criatividade de Sheldon em criar planos mirabolantes. Em Se Houver Amanhã, cada roubo era uma aventura alucinante. Pegávamos o livro com uma mão só, pois a outra estava na boca, as unhas sendo roídas. Ficávamos curiosos com os estratagemas de Tracy, com o coração na mão quando ela quase era pega e deliciosamente surpresos ao final de cada golpe. Nesse livro não, tudo é muito morno. São golpes mal explicados, tolos e inverossímeis.  Jeff é outro que está irreconhecível. O personagem irresistível deu lugar a um cara apático, que passa o dia enfurnado num museu, sem esboçar nenhum vislumbre do charme que esbanjava. O casal protagonista é tão chato que eu queria pular as cenas narrando sua intimidade.

Nos livros anteriores Tilly se esforçou bastante para reproduzir o estilo de Sidney Sheldon, e teve êxito. Era essa a graça de seus livros, nos dar a ilusão de uma obra inédita do mestre. Mas nesse, ela nem mesmo tenta imitá-lo. Não senti quase nenhuma similaridade com o estilo dele. Principalmente nos toques de humor que ele dava às suas histórias. Há uma cena em que Jeff entra na sala de um ginecologista e dá de cara com uma paciente com as pernas abertas. Sheldon jamais recorreria a um truque tão grosseiro para fazer o leitor rir.

Tilly é uma boa escritora. Tem uma narrativa vigorosa, é ótima nas descrições de cenários e delineia bem os personagens, embora não os aprofunde. O livro tem uma boa trama: alguém está copiando os golpes aplicados por Tracy ao longo de sua carreira e, nos mesmos dias em que esses crimes ocorrem, prostitutas são assassinadas. Um investigador dedicado faz a ligação entre os crimes e se aproxima de Tracy para que juntos tentem desvendar o mistérios. E, além disso, uma segunda golpista, quase tão bela como Tracy, rivaliza com ela. Tudo isso traz à obra atrativos suficientes para que a leitura nãos seja uma total perda de tempo. Mas o livro carece de ritmo. Assim como o anterior Sombras de Um verão, a história demora demais a empolgar.

Como sequência de um livro tão especial, considero Em Busca de Um Novo Amanhã um fracasso. Acredito que se uma história chega ao fim, é porque não há mais nada a ser contado. Porém, Tilly não concorda com isso, tanto que uma nova sequência já foi lançada lá fora, conforme podem conferir aqui. É, pessoal, pelo jeito a Tilly não vai largar esse osso.

domingo, 22 de novembro de 2015

Sete mafiosos da literatura

D. Vito Corleone

O mais famoso chefão da cultura pop só poderia ter sido um dos mais implacáveis mafiosos. Um italiano de origem humilde que se aventurou a tentar a vida nos Estados Unidos e lá começou a construir seu império, não hesitando em se utilizar de métodos violentos para  se estabelecer em seus negócios. Apesar disso, era um homem que amava profundamente sua família e não desejava que seus filhos seguissem o seu caminho. Um personagem que se tornou uma referência para todos os escritores que se desejem enveredar no mundo da máfia.


Cesare Cardinalle 

Para muitos, Cesare era apenas um homem de negócios com uma reputação ilibada. Mas aqueles que conheciam o mínimo que fosse de sua verdadeira face, sabiam o suficiente para temê-lo. Um criminoso que enriquecera matando quem entrasse em seu caminho. Principalmente pessoas dispostas a testemunhar contra a máfia. Um mafioso que não costumava mandar recado, resolvendo seus assuntos com as próprias mãos, o que lhe um enorme prazer. E sempre acompanhado de seu afiado estilete.


Vinnie Amendola

Esse é figurinha fácil nos livros de Robin Cook. Vinnie é um mafioso que vive às voltas com fraudadores de planos de saúde, corpos jogados nos rios e acaloradas discussões de "negócios" acompanhadas de uma boa massa num discreto restaurante italiano. Mas apesar de experiente, impiedoso e audacioso, Vinnie vive levando rasteiras da legista Laurie Montgomery. E após ter falhado nas diversas vezes em que tentou se livrar da médica, acabou por desistir e manter uma distância segura de sua inimiga.


Rehvenge

Conhecido como O Reverendo, Revhenge fundou o Zero Sun, um bar de fachada para o tráfico de drogas onde as figuras mais incomuns costumam aparecer. Como vampiros, por exemplo. Devido à sua linhagem, parte Sympatho, uma espécie capaz de manipular os sentimentos alheios, ele depende de substâncias químicas para controlar sua natureza nociva aos que o cercam, o que o torna fornecedor e usuário de drogas. Mas nada disso o torna menos poderoso, sedutor e letal.


Freddie Jackson

Ele tinha quase todos os defeitos do mundo, mas o pior deles era a inveja. Já era um veterano no crime, quando seu primo Jimmy começou a engatinhar nos negócios fora da lei. E foi por com um crescente ressentimento que ele acompanhou a ascensão de seu antigo discípulo e quis tomar tudo o que o rapaz conquistara, inclusive sua mulher. E os métodos utilizados não foram nada sutis. Um vilão sem nenhum escrúpulo, que deixou em seu rastro uma longa trilha de calamidades.

Michael Moretti

De origem humilde, Michael começou sua jornada no mundo da máfia fazendo pequenos serviços para as “famílias”, até se tornar um dos chefões. Acostumado a ter tudo o que deseja, sente-se desafiado com a rejeição de uma íntegra advogada a quem assedia para que passe a trabalhar para ele. Determinado, não mede esforços para ter Jennifer Parker prestando-lhe serviços. O problema é que quando o consegue, ela acaba por ganhar também seu coração, se tornando sua maior fraqueza.


Vince

Como um mafioso tradicional, ele herdou os negócios do pai e os assumiu com toda a competência. Faça perguntas sobre ele que logo será convidado por seus capangas a entrar num carro para uma viagem, da qual só retornará se tiver muita sorte. Extremamente violento, provocá-lo pode significar perder algumas partes do corpo. Um cara pavio curto, acostumado desde criança com a violência. Mas toda essa valentia escorre pelo ralo quando está diante de sua adorada enteada, por quem demonstra um enorme carinho.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os Cães - Robert Calder


Sinopse

Numa pacata cidade de Nova Inglaterra, Alex Bauer, um professor universitário, encontra um cachorrinho abandonado, levando-o para casa e, como tempo, afeiçoa-se extremamente a ele - ignorando que de uma estação experimental de criação de cães, a uns 150 metros de distância, desaparecera um filhote de um cruzamento especial. E então, certo dia, após um incidente, o cão foge para o mato e volta à sua natureza primitiva.O que se segue é um cataclisma de terror que domina uma região e se torna para Alex Bauer um verdadeiro inferno.

Resenha

O livro está longe de ser uma história de terror, ao contrário do que é anunciado na capa. A impressão que tive é a de que o autor usou o tema de cães ferozes atacando seres humanos, para discutir suas ideias existencialistas. Até aí, tudo bem, é bacana você descobrir que um livro de entretenimento, tem algo mais profundo por trás. Colin Wilson fazia isso muito bem, personificando correntes filosóficas através das atitudes de seus personagens. Mas Calder não obteve o mesmo êxito. O autor se mostrou tão desajeitado ao expor suas ideias, que elas destoam completamente da história. Num momento o personagem principal, Professor Bauer, está às voltas com seu cão de estimação, notando algo anormal em seu comportamento. No outro, está sentado com sua ex-mulher, ambos fazendo dissertações sobre relacionamento que parecem ter sido retiradas de algum livro de psicologia e coladas dentro do diálogo. Os personagens despejam textos herméticos, com uma linguagem rebuscada e altamente técnica, só para comentarem sobre o casamento que não deu certo. Num momento estão bebendo descontraidamente, no outro, agindo como estudantes na apresentação de um seminário. Conversas que seriam simples e agradáveis transformam-se em verdadeiros tratados.

Os personagens robóticos se movimentam a esmo pela história. Os conflitos são mal expostos, tudo narrado com um distanciamento acadêmico. Parece que estamos lendo um texto de um livro escolar de História. As cenas de ação, nas quais os cães atacam as pessoas incautas que atravessam seu caminho, são até que bem sacadas, mas mal contadas, o autor não passa nenhum entusiasmo. O livro não tem ritmo algum. Muitas cenas são interrompidas assim que começam a ficar interessantes, para não serem retomadas. Nos momentos que seriam mais dramáticos, o autor dá um salto na narrativa, resumindo com breves palavras a conclusão das cenas anteriores.

Nos últimos momentos o autor tenta dar emoção à história, apelando para miséria a humana em que se sente imerso Bauer, lamentando um casamento infeliz e o fato de seu cão, a quem deu tanto amor, ter desfigurado o rosto de seu filho. Mas aí já era tarde demais. O autor ignorou o potencial dramático de sua própria história durante toda a narrativa e quis apelar para a emoção somente nos últimos momentos.

E, além disso, o texto é pesado demais. Ler uma dezena de páginas era um grande esforço e só o terminei rápido porque queria me livrar logo do livro. Não costumo depreciar livros sem pelo menos mencionar alguns pontos positivos, mas esse, não me rendeu nenhum bom momento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sem Tempo Para Despedidas - Linwood Barclay


Sinopse

Numa manhã, Cynthia acorda e estranha o silêncio incomum em sua casa. Descobre então, que todos os membros de sua família desapareceram sem vestígios. Vinte e cinco anos se passam e ela, casada e com uma filha, ainda sofre com o mistério. Em busca de respostas, aceita participar de um programa de TV para reviver o caso, esperando que isso atraia alguma testemunha que possa esclarecer o mistério. O que ela não sabe é que desenterrar o passado pode ter consequências perigosas.

Resenha

Narrado em sua maior parte em primeira pessoa, pelo ponto de vista do marido de Cynthia, o professor Terry, o livro se inicia mais como um drama familiar. O autor não tem pressa. Não que o livro seja arrastado, mas o autor se preocupa em ambientar bastante a história, narrando cenas da rotina do casal, seja em sua casa, no trabalho ou na escola de sua filha, explorando todas as consequências da tragédia na vida de Cynthia, que se tornou uma pessoa desequilibrada. Ela faz questão de levar a filha Grace, diariamente à escola, temendo que alguém a roube; Ela aborda estranhos achando que é algum dos membros desaparecidos de sua família; Ela liga diversas vezes para a produção do programa sobre crimes do qual participou, em busca de novidades.

Somente após um terço do livro é que a trama vai ganhando contornos policiais e assim, se tornando gradualmente mais intrigante. Fatos estranhos vão surgindo, fazendo com que se dê início a uma linha de investigação. Sabemos que há alguém rondando a família, o que rende algumas cenas capazes de dar um frio na barriga, e a partir do momento em que novos crimes passam a ocorrer, o livro ganha um ritmo de suspense alucinante. Com raríssimas exceções, todos os fatos aparentemente casuais jogados no meio da história tem alguma relevância, fazendo com que o final arremate com muita emoção todas as pontas soltas.

Terry, que no início era um tanto apático, ganhou minha simpatia, com todo o seu esforço para desvendar essa trama intrincada, sempre desejando o melhor para a sua esposa e sua filha e mostrando-se corajoso ao correr sérios riscos para salvar sua família, mesmo sendo um professor que mal sabe pegar numa arma,

Não esperava muito desse livro e foi uma grata surpresa ir descobrindo com o decorrer da história que estava com um brilhante thriller em mãos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Madison, 1300 - Ira Levin


Sinopse

Uma série de Mortes misteriosas aterrorizam os moradores de um prédio de apartamentos de Manhattan. Alguém ali espiona a vida de todos os inquilinos por meio de um sofisticado sistema de vídeo. Uma mulher solitária se, muito parecida com uma das vítima,s se v~e em meio a um turbilhão de acontecimentos bizarros.

  Resenha  

A premissa do livro é ótima, um edifício como cenário de misteriosas mortes, uma executiva do ramo editorial na meia idade, cuja única companhia é sua gata, envolvida com um rapaz mais jovem e alguém observando tudo o que acontece dentro de cada apartamento através de um sofisticado sistema de câmeras. Porém, Ira parece não ter tido disposição para transformar tudo isso num bom livro.

A narrativa é confusa, praticamente composta de diálogos e descrições dos movimentos dos personagens. É sempre alguém pegando uma xícara, ajeitando a blusa, fechando uma porta. Mas boas descrições de cenário não existem. O livro não tem atmosfera, parece que estamos lendo um roteiro de cinema. Como um dos personagens espiona a vida dos inquilinos através de vários monitores, é possível que essa escolha da narrativa tenha sido proposital, fazendo com que o livro pareça um filme, mas não deu certo, pois não dá pra entrar na história. O livro foi escrito sem nenhuma emoção, é um texto muito mecânico e por isso não há como criar empatia com os personagens e seus conflitos.

Kay, a protagonista, é apresentada como uma editora bem sucedida, uma mulher segura e que convive bem com a solidão, mas com o decorrer dos capítulos se transforma numa bobalhona, que fica de quatro por um rapaz mais novo, Peter. O romance entre eles vai se aprofundando, mas eles não conseguem convencer como um casal. E conforme os segredos do rapaz são revelados, Kay age com uma passividade irritante. O único personagem com um pouco mais de solidez é Sam, um ator decadente, mas mesmo ele não desperta simpatia.

Como pontos positivos devo ressaltar a engenhosidade do autor em alguns detalhes na execução de alguns crimes, o assassino sabe forjar os elementos de um crime de maneira genial.

 O livro teve uma adaptação cinematográfica que no Brasil recebeu o título de Invasão de Privacidade, com Sharon Stone no papel principal. O filme é muito superior ao livro e por isso a leitura foi uma grande decepção. Principalmente por se tratar de um autor tão bem conceituado.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Procura-se - Giovanna Vaccaro



  Sinopse

Ariane tem pouco tempo de vida. Desde os seis anos, sofre com a doença arterial coronariana, uma deficiência cardíaca genética; rara em pessoas jovens, mas fatal.
Para agravar a situação, após uma crise de insuficiência cardíaca, ela recebe a notícia de que deverá passar, o mais urgente possível, por um transplante de coração, caso contrário, seus dias estão por um fio. Porém, ela tem uma nova razão para pulsar: seu novo amigo Miles. Ariane se envolve em uma paixão “quase” perfeita – diante do difícil drama que enfrenta! Juntos, eles tentarão encontrar uma saída e farão de tudo para congelar o tempo e eternizar cada segundo que lhes resta, como um extenso fio de esperança que surge a seu futuro tão incerto.

Resenha

A premissa do livro me deu a ideia de uma história triste, com uma jovem sofrendo de uma doença incurável, mas tentando ser feliz durante o pouco tempo que lhe resta. Mas o tom da narrativa não tem nada de deprimente. Sentimos certa melancolia numa passagem ou outra, mas o clima preponderante do livro é de humor, positivismo e leveza.

No começo achei Ariane uma jovem implicante, rabugenta e muito crítica. Ela tem uma visão analítica apurada de tudo e todos ao seu redor. Porém, muito desse seu temperamento é interiorizado. Por fora ela é uma pessoa muito fácil de lidar. Uma filha obediente, uma irmã companheira e uma excelente amiga. A maneira como ela lida com sua doença, que a acompanha desde os seis anos de idade, é bastante admirável. Ariane é orgulhosa demais para compartilhar sua condição com todo mundo, por isso, pouquíssimas pessoas sabem de sua doença, o que é perigoso, já  que em seus momentos de crise, depende de uma medicação específica que é vital para sua saúde. A doença é a coronariana, da qual eu nunca havia ouvido falar, mas que Giovanna explica de modo sucinto, mas bastante esclarecedor.

O romance entre Miles e Ariane ocorre lentamente, de forma bem natural, sem joguinhos, com o casal cultivando uma promissora amizade. Não há pieguice na relação entre os dois. Formam um casal divertido, sempre fazendo brincadeiras um com o outro. Seus encontros têm geralmente uma mistura de romantismo e humor. Miles é direto, mas respeitoso, atrevido, mas cuidadoso, um cara seguro de si. Já Ariane é receptiva, mas evasiva, abre as portas de sua casa para ele, mas mantém uma distância segura, freando o entusiasmo do rapaz. E é justamente na mesma época em que conhece Miles é que descobre que tem apenas dois meses de vida caso não consiga um transplante

Achei a escrita de Giovanna coesa. Ela tem um senso de ritmo bastante apurado, sabendo conduzir cada cena, cada capítulo e emendar com a situação seguinte. Muitos parágrafos ou capítulos terminam com alguma frase de efeito, que ou te instiga a ler mais, ou finaliza o trecho de modo redondinho, demonstrando um capricho todo especial na escrita. Suas descrições dos personagens são vivas, geralmente acrescentando impressões pessoais da própria Ariane, já que a narrativa é em primeira pessoa.

Há alguns pontos negativos a serem ressaltados:

Callie, melhor amiga de Ariane sofre uma decepção com seu namorado Harry e decide se vingar. Foi um lance que movimentou bastante a história, mas acho que furar os pneus do carro do ex-namorado já seria de bom tamanho. Porém, a garota não se contenta com isso e apronta várias para seu ex, estendendo essa situação por várias páginas, o que tirou todo o foco da trama central. Sem falar que perdi totalmente a simpatia pela personagem, que acabou perdendo a razão. A garota alto astral e segura de si se tornou uma megera despeitada. A melhor vingança é arrumarem um namorado mais gato e se mostrarem superiores, meninas, é mais digno.

Mas o maior erro da autora foi o de desconsiderar a existência de uma fila de espera para transplante de coração. Você não pode reivindicar o coração de um parente ou amigo morto, só porque ele é compatível com o seu. Diferente de uma doação de rim, parte do fígado ou medula, que são doados em vida, no caso do coração, não há como deixá-lo de herança para alguém. Há uma fila de espera e por três vezes isso foi ignorado na história. Compreendo que foi uma licença poética, mas foi forçado.

Outro momento que me indignou foi quando Ariane decidiu procurar sua mãe após descobrir que precisava de um transplante. Nada disso foi dito claramente, mas ficou evidente que a garota queria que a mãe doasse seu coração para salvá-la. Primeiro, que, como disse acima, isso não seria possível. Ela queria o que, que a mãe se matasse para lhe dar o coração? Como a autora fez uma referência ao filme Awake, A Vida Por um Fio, usando-o como um precedente, acredito que tenha sido essa a intenção, mas o contexto do filme era totalmente diferente. Sem falar que achei  a atitude de Ariane de uma mesquinhez atroz.

Esses pontos prejudicaram em muito a história, mas são muitos os pontos positivos. O livro é permeado de frases motivadoras, todas sempre pertinentes à cada momento da narrativa. Os personagens são adoráveis, cada um tem um encanto próprio, que o difere dos demais, mas todos formam uma grande harmonia. E o final tem uma linda justiça poética.

Procura-se está entre os melhores livros nacionais do ano na votação do blog Leitura Virtual, chegando ao primeiro lugar no resultado parcial. E dá para se entender o motivo. Com apenas quinze anos, a autora sai na frente de muito marmanjo por aí, com um texto de qualidade, combinado a uma bela história. E o lado bom de começar tão jovem na literatura é que, quanto mais cedo se começa, mais tempo se tem para se aperfeiçoar e lançar muitos outros títulos.
                                                         



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Zoo - James Patterson e Michael Ledwige



                                                                       Sinopse

Uma misteriosa doença se espalha pelo mundo, atingindo os animais, que passam a apresentar um inexplicável comportamento, caçando os humanos e matando de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina somente entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de estimação também demosntram agressividade e as vítimas se multiplicam.Apavorado, o jovem biólogo Jackson Oz vê nessa bizarra realidade, a comprovação de uma previsão sua, que foi desprezada por todos. Com a ajuda da ecologista Chloe Tousignant, Oz inicia uma corrida contra o tempo para alertar os principais líderes mundiais, sem saber se as autoridades acreditarão em um fenômeno tão surreal.

                                                                         Resenha

Não sou fã de livros escritos a quatro mãos. E também não curto o James Patterson. Seu único livro que consegui ler inteiro foi Na Teia da Aranha e mesmo assim não achei grande coisa. Vocês então devem estar se perguntando por que cargas d’água decidi ler Zoo. Porque o tema é irresistível. Adoro livros onde bichos se voltam contra o ser humano e a premissa em que animais no mundo todo estavam adquirindo um comportamento anormalmente violento foi suficiente para me atrair.

A trama é narrada na primeira pessoa pelo protagonista, o biólogo Jackson Oz, e na terceira pessoa por diversos outros personagens. Minha primeira impressão de Oz foi ótima. O cara é espirituoso, irônico, um tanto cínico e isso cria uma empatia automática com o leitor. Apesar de em alguns momentos ele forçar no bom humor, fazendo com que situações extremamente perigosas soem como brincadeira de criança, seu temperamento me agradou bastante. Porém o livro é muito superficial. O romance de Oz com a ecologista Chloe, que no início promete render bons momentos e criar outro ponto de interesse no livro além da trama principal, acontece rápido demais. Eles se conhecem durante uma situação de perigo, voltam juntos para a América e praticamente já estão namorando. Não há profundidade nos personagens, pouco sabemos sobre suas personalidades, seu passado, seus conflitos. E Chloe praticamente não contribui em nada na trama. Além disso, a batalha de Oz em provar que algo de errado está acontecendo na natureza é também tratada superficialmente. Não sentimos sua ânsia em fazer com que as pessoas acreditem em suas teorias, sua frustração em ter suas hipóteses desprezadas, seu esforço em procurar aliados e nem seu alívio quando alguém compartilha de sua opinião.

Há outro problema na narrativa. Após a trama dar um pulo de cinco anos, a personalidade de Oz muda radicalmente. O rapaz brincalhão dá lugar a um homem sério, quase apático. É como se fossem duas pessoas diferentes.

Zoo é um livro desconjuntado, onde claramente se percebe as características de dois escritores que não conseguiram fazer uma simbiose e criar uma unidade. Não há como criar um vínculo com os personagens e mesmo sendo Oz um herói nobre, que luta por uma causa justa, ele não consegue transmitir vitalidade, é oco, e aí não dá pra se envolver com sua luta. Somente nos últimos momentos, em que ele toma uma atitude abnegada, negando-se o direito de encontrar sua família, pois isso colocaria em risco a estratégia montada para conter os animais, é que consegui criar uma empatia mais forte pelo protagonista. Os únicos momentos que realmente valem a pena são as cenas em que personagens aleatórios são atacados pelos mais diversos tipos de animais. Essas cenas permeiam o livro e dão uma atmosfera contagiante à narrativa. Fora isso, é um livro onde tudo acontece rápido demais, com muita ação e pouca emoção.
     

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Predador - Tess Gerritsen





                                                                          Sinopse

Um grupo de turistas desembarca em Botsuana para um safári e, sem que ninguém suspeite, há entre eles um assassino cruel, um predador que, ao fim de uma semana, transforma uma aventura na selva numa luta pela sobrevivência. O que ele não sabe é que, nessa caçada humana, uma de suas presas consegue escapar. Seis anos depois, em Boston, um homem é pendurado e eviscerado em sua própria garagem. A descoberta de um esqueleto enterrado em um quintal em outra parte da cidade faz com que a detetive Jane Rizzoli e a patologista Maura Isles desconfiem de que as duas mortes estejam relacionadas e de que o assassino vem cometendo seus crimes há anos. Todos os indícios apontam que a solução do caso está na África, e Jane precisa convencer a única sobrevivente do massacre a enfrentar a morte mais uma vez.

                                                                          Resenha

O Predador traz novamente a velha fórmula dos livros da série Rizzoli e Isles: assassinatos, um serial killer, detalhes forenses de revirar o estômago e a já costumeira testemunha que sobrevive a um massacre e tem papel fundamental na caça ao assassino. A sobrevivente da vez é Millie, uma personagem bastante cativante, que escapa de uma matança na África e é peça chave na solução de uma série de assassinatos que se deslocam até Boston, terra da dupla Jane Rizzoli e Maura Isles.
A história se divide entre esses dois ambientes e entre o passado e o presente. No passado, Millie narra suas desventuras em primeira pessoa, o que dá um sabor especial  à leitura. Conhecemos a fundo seus anseios, suas dúvidas e seus medos. Embora não admita isso para si mesma, Millie se sente atraída pelo seu guia de viagem, um homem rústico, impetuoso, destemido, mas cheio de mistérios. À medida que os membros da excursão vão sendo encontrados mortos um a um, a suspeita de que esse homem esteja por trás dos assassinatos aumenta, o que deixa a jovem Millie num grande dilema, dividida entre seu desejo de entregar sua segurança nas mãos desse estranho ou ficar do lado de seus companheiros. O suspense vai se intensificando, bem naquele estilo “O Caso dos Dez Negrinhos”, onde os personagens vão sendo vítimas de violentas mortes e as suspeitas aumentando entre os sobreviventes. Não posso deixar de ressaltar as cenas de Millie perdida na selva. Não gosto muito de descrições de paisagens e nem de cenas de perseguição, sou meio dislexo em acompanhar esse tipo de narrativa, mas o texto é tão visceral, que não há como não ficar envolvido. Era como se eu estivesse ao lado da personagem, dividindo com ela aqueles perrengues e buscando um meio de escapar daquele ambiente inóspito. Os perigos à que a jovem estava exposta, diante da possibilidade de cruzar com aquela variedade imensa de animais ferozes resultaram em cenas tão empolgantes que decidi ler Zoo de James Paterson logo em seguida.

No presente, nos deparamos com Rizzoli e Isles investigando um crime bárbaro. Para quem sentia falta das cenas nojentas que quase não tiveram espaço nos últimos livros, vai se esbaldar em muito sangue. Logo nos primeiros capítulos temos Maura fazendo o que faz de melhor: vasculhando a cena de um crime e chafurdando pistas em meio aos restos mortais da vítima e, logo em seguida, dissecando o cadáver e fazendo descobertas instigantes que mudam o rumo da investigação.
Em relação à vida pessoal das protagonistas, não esperem muitas emoções. Rizzoli está às voltas com os conflitos entre seus pais. Frank cada vez mais insuportável, querendo reatar o casamento e Ângela Rizzoli dividida entre fazer o que é certo e fazer o que deseja.  Quanto à Maura, está mergulhada numa crise existencial, deprimida e solitária, a ponto de perder o seu brilho. É uma personagem fascinante, mas que já está se tornando chata devido à sua tendência a se apegar àquilo que a faz sofrer.

A trama é bem intrincada, repleta de personagens e assassinatos acontecendo ou sendo descobertos à todo instante. É preciso ficar atento aos fatos e nomes para não se perder. Acho que alguns crimes eram desnecessários e só complicaram a história. Preferia menos assassinatos e uma trama mais enxuta. O ritmo é empolgante. Não há marasmo, seja no tempo presente ou nos flashbackcs narrados por Millie.

Apesar de ser um livro independente, O Predador terá um sabor especial para quem acompanha a série, pois há muitas referências a livros anteriores. Mesmo não acertando quem era o assassino, consegui pescar algumas pistas deixadas pela autora e cheguei perto de desvendar o mistério. Mas não chega a ser um livro totalmente previsível e ver Tess recuperando a velha forma me deixou otimista com os novos rumos da série.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Sete grandes professores da literatura

Robert Langdon

Uma enciclopédia ambulante. Professor de iconografia religiosa, Robert domina uma quantidade absurda de assuntos e os utiliza para decifrar os mais intrincados enigmas, frustrando assim os planos engenhosos de seus adversários. Porém, tem um ponto fraco: a claustrofobia, que o acompanha desde que caiu num poço quando tinha sete anos. Robert Langdon é uma espécie de alter ego de seu criador Dan Brown, vivendo as aventuras que o próprio autor gostaria de ter vivido. Um personagem simpático, que mesmo sendo uma figura constantemente requisitada pelo FBI na elucidação de crimes e impedido grandes tragédias ao desvendar herméticas charadas em tempo recorde, mantém sua humildade.




Otto Lidenbrock  

Um professor de mineralogia que ousou fazer uma das viagens mais imprevisíveis da literatura. Com seu vasto conhecimento, foi um participante essencial dessa incrível jornada. Porém, apesar de ser brilhante, tem um temperamento bastante difícil. Severo aos extremos, rabugento e avesso a distribuir elogios, é daquele tipo de professor que testa a perseverança dos alunos. Mas não se fazia de rogado quando se tratava a nós, leitores, valiosas aulas de de diversos assuntos durante a leitura dessa sensacional viagem ao centro da Terra.
Alaric Saltzman  

Ele chega à Mistic Falls, como o novo professor de História, mas se mostra um grande oponente dos vampiros que infestam a cidade. Apesar de ser um intelectual, Saltzman é um cara atlético, que se sai muito bem numa briga e não teme enfrentar o poder dos vampiros, mesmo sendo um mero mortal. Saltzman também é um parapsicólogo e seus conhecimentos são de importância vital na guerra que se trava entre as criaturas sobrenaturais que viram aquele lugar do avesso.







Mary Ashley

Mary é uma ingênua professora de geografia, especialista em assuntos da Europa Oriental, mãe de dois filhos e recentemente viúva, que aceita o convite para ser embaixadora dos Estados Unidos na Romênia. Ninguém entende o porquê de escolherem uma figura tão simplória para um cargo tão importante. Mas Mary não tarda a dizer a que veio. Pouco a pouco vai nos conquistando com sua doçura, com sua inocência, vai nos divertindo com suas gafes, suas trapalhadas ao se adaptar ao seu novo posto e ao novo país. Mostra também que é forte, mergulhando numa nova vida para superar a morte do marido, driblando os homens poderosos que a cercam, desempenhando brilhantemente sua função de diplomata.

Alvo Dublemdore


Seria o máximo ter aula de transfiguração na escola não é? Já pensaram, aprender a transformar um objeto em outro completamente diferente? Em Hogwarts, colégio onde Harry Potter estudou e aprendeu seus truques, havia essa disciplina. E quem a ensinava era o sisudo Alvo Dublemndore, que carrega a respeitável fama de um dos feiticeiros mais poderosos de todos os tempos. Por isso, recomendava-se muita postura em suas aulas. Mas o cara, apesar de rigoroso, no fundo era gente boa.

Srta. Desjardin

A professora de educação física foi a primeira pessoa a estender uma mão amiga a Carrie naquele colégio, onde o bullyng era uma rotina inalterável para a jovem garota. Só com esse gesto já ganhou a simpatia do púbico. Mas Desjardin foi além. Denunciou os agressores, lutou para que fossem punidos, enfrentou a ameaça de um pai arrogante que só desejava encobrir o erro da filha e agiu como um anjo da guarda de Carrie. Nem todos as consequências daquele incidente no vestiário ela conseguiu evitar, mas que ela tentou, isso não se pode negar.




Van Helsing

Ele é o mais famoso caçador de vampiros de todos os tempos, tendo a ousadia de perseguir o lendário Drácula e botado para correr o rei dos vampiros. Como professor, sua área é a filosofia e a antropologia, além de flertar com a ciência. Um caçador tenaz, que não recusa uma boa perseguição, mesmo que essa atravesse mares e o leve de Londres à distante Transilvânia. E um professor com um vasto conhecimento, que sabe a hora certa de utilizá-los e passa uma segurança reconfortante a seus seguidores.











domingo, 11 de outubro de 2015

Sete crianças que nos deram grandes lições

O Pequeno Príncipe

Ele veio do espaço. De outro planeta, de outra cultura e trouxe consigo ensinamentos que mudaram a visão de mundo de um homem e de várias gerações de leitores. O Principezinho aterrizou em solo terráqueo e encheu de significado a vida de um homem que já não conseguia ver nenhum sentido na vida.

O que ele nos ensinou?

A amar o que se tem, a dar valor às coisas simples da vida, que são as mais importantes, a cultivar a amizade para que ela renda seus frutos.

"O essencial é invisível aos olhos." 



Liesel

Depois de escapar da Morte por três vezes, Liesel ganha o respeito da própria, que passa a acompanhar sua vida e nos conta suas aventuras. Uma menina corajosa que, afastada de sua família, tem como único vínculo com as suas origens um livro que surrupia numa situação bastante inusitada. Sob as sombras da Segunda Guerra, Liesel se refugia na leitura, criando seu próprio mundo, mas sem se alienar da realidade que a cerca, 

O que ela nos ensinou?

A não deixar de sonhar, a buscar conforto na arte, mas não dar as costas ao mundo que está ao seu redor.

"Às vezes as pessoas são tão bonitas! Não pela aparência física nem pelo que dizem. Só pelo que são."



Anne Frank

Escondida junto de sua família num sótão para escapar do horror nazista, Anne Frank tinha como seu único confidente o seu diário, no qual discorria sobre sua rotina de medo, conflitos e tensão. Mas mesmo vivendo naquele ambiente claustrofóbico, ela mantinha a esperança de dias melhores, mesmo que não chegasse a fazer parte deles. Uma alma madura num corpo de criança é o que define Anne Frank.

O que ela nos ensinou?

A ter paciência mesmo nos momentos críticos, a enfrentar as dificuldades com maturidade e a não perder as esperanças na raça humana.
"Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana."


Sam

À beira da morte devido à leucemia, Sam decide escrever um livro sobre a situação em que vive. E ao invés de uma sequência de descrições sofridas sobre a sua rotina de internações, exames e sessões de quimioterapia, o garoto lança questões sobre a morte. Questões profundas e existenciais de como viver eternamente. Apesar de não mascarar sua triste realidade, Sam fala sobre tudo o que gosta, sobre o que não vai viver e formula perguntas que nos fazem questionar nossa própria realidade.

O que ele nos ensinou?

A se livrar das hipocrisias ditadas pelas convenções sociais, a encontrar mais estímulo em seu cotidiano a partir de cosias simples, a não ter medo de se entregar às suas próprias emoções.

“Morrer é a coisa mais boba de todas. Ninguém lhe conta nada. Você faz perguntas, e eles tossem e mudam de assunto.” 

Hassan

Todo mundo gostaria de ter um amigo como Hassan, mas poucos merecem. Um ser humano iluminado, que sacrificou-se por quem amava e mesmo recebendo em troca a traição, manteve-se fiel aos seus próprios sentimentos, aos seus princípios e permaneceu devotado ao seu amigo de infância mesmo tendo sofrido tanta ingratidão.

O que ele nos ensinou?

Lealdade, abnegação, honra e uma força de caráter inquebrantável.

“ Por você eu faria isso mil vezes.” 



Pollyanna

Ela via sempre o lado bom de tudo e transformou o otimismo em uma filosofia de vida. Para Pollyanna não havia tempo ruim, ela sempre conseguia tirar algo de bom de situações difíceis. Com seu “jogo do contente” tornou a sua vida e de se pai muito mais alegre e de quebra nos ensinou a entrar nessa brincadeira.

O que ela nos ensinou?

A ser otimista e encontrar humor, beleza ou simplesmente uma lição mesmo nos momentos difíceis.

“– Eu não vejo nada para ficar contente. Receber um par de muletas quando queria uma boneca!
– Pois o jogo consiste em ficar contente porque não precisamos delas! – exclamou Pollyanna, triunfante. – Veja como é fácil quando se sabe.”

Isadora Faber

Revoltada com os problemas de ensino da escola pública em que estudava, Isadora decidiu colocar a boca no mundo e criou no Facebook uma página denominada Diário de Classe, dedicada a denunciar a precariedade do ensino no seu colégio. Com isso, mobilizou pessoas e instituições, conseguindo que mudanças fossem realizadas em sua escola, mas também ganhou inimigos, que a atacaram com ameaças, críticas, agressões e até mesmo processos. Mas nada disso a demoveu de sua luta e hoje é uma grande ativista em busca de melhorias no ensino, tendo já alcançado diversas conquistas.

O que ela nos ensinou?

A questionar o que julgamos errado e reivindicar melhorias a que temos direito.

"Não é só porque é uma escola pública que não pode ter um ensino de qualidade."

domingo, 4 de outubro de 2015

Sete namorados que tocaram o terror

Michael

Asheley conheceu Michael num bar, e após umas bebidas a mais, resolveu ficar com um rapaz da classe operária, pertencente a um mundo muito diferente do seu. Mas o que para ela foi apenas a diversão de uma noite, para ele foi o início de um namoro. E o aparente jovem de pouca instrução logo se revelou dono de uma mente maquiavélica. O rapaz primeiro tentou manter o relacionamento através de cartas de amor, e-mails e telefonemas. Como não obteve resultado, foi sutilmente se aproximando da vida da garota, cercando-a por todos os lados. Gênio da informática, Michael descobriu vários pontos vulneráveis tanto da pretensa namorada, quanto de sua família e armou uma cilada tão eficaz para ter a todos em suas mãos, que parecia impossível para Ashley, seus pais e sua madrasta escaparem ilesos de seu assédio.



Olaf

Ao retornar ao seu emprego no banco após uma longa licença devido a problemas emocionais, Sabine tem uma boa surpresa ao encontrar ali Olaf, antigo amigo de seu irmão, trabalhando como técnico de TI. Olaf é charmoso, simpático, bonito e cobiçado por sua chefe. É por isso que Sabine se espanta quando ele começa a paquerá-la, justo ela, uma moça tão sem atrativos. Mas logo a moça descobre que seu novo namorado é bom demais para ser verdade. Ao poucos, Olaf vai mostrando um lado possessivo e, temendo que o abuso psicológico evolua para a violência fica, ela decide se distanciar. E é aí que as cosias ficam feias.






Beau

Ele era apenas um universitário que namorava a doce Cassy e tinha uma grande amizade por Pitt, que apesar de ter uma quedinha pela namorada do amigo, era leal e o respeitava. Mas tudo mudou quando Beau encontrou uma estranha pedrinha. A leve picada que recebeu ao tocar no objeto foi apenas um desconforto. O problema veio depois, com a rápida mudança em seu comportamento. Beau ficou violento, e numa briga durante um jogo, demonstrou que desenvolvera uma força descomunal. Logo, as mudanças se tornaram visíveis em sua aparência física e o que antes era um belo rapaz, logo se tornou uma criatura bem desagradável de se ver.





Lee

Eles se conheceram numa balada e desde então a vida de Cathy nunca mais foi a mesma. O relacionamento foi tão traumático que ela desenvolveu um transtorno obsessivo compulsivo que tornou seu cotidiano um martírio. O medo de Lee voltar era tão grande, que a jovem obrigava-se a ceder a pequenos rituais diários para sentir-se razoavelmente em segurança. Um namoro marcado pela dor, pelo medo, pela extrema violência e pelo constante risco de vida que era estar ao lado de alguém tão imprevisível.






Daniel

Daniel é um serial killer diferente. Ele tem remorso, sofre de paranoia, tem crises existenciais. É um escritor em ascensão que vagueia com desenvoltura pelo mundo editorial, mas sua vida pessoal é um caos. Ele mata quem se interponha em seu caminho, principalmente namoradas que se tornem um estorvo. Mas à cada crime se afunda mais e aos poucos perde o controle dos acontecimentos. Isso porque ele não é um psicopata, que comete assassinatos com uma frieza cirúrgica. Ele é uma alma atormentada, com um acontecimento mal resolvido em seu passado envolvendo uma professora, a dona da echarpe que o acompanha, objeto este usado como arma em seus crimes.



Ken Mallory

Eles já começaram o namoro muito mal. Ele, apostando com os amigos que a seduziria. Ela, fingindo não saber de nada e fazendo-o de bobo. Mas o resultado desse jogo foi que eles pareceram se entender e apostas e desforras à parte, tinham tudo para começarem um relacionamento sério. Ken parecia arrependido e disposto a assumir a jovem médica como sua namorada, compensando suas canalhices com muito amor. Mas um imprevisto provou que ele não havia mudado e que havia coisas muito mais importantes que viver um grande amor. E para alcançar seus objetivos, valia tudo, até matar.




Stefan

Muito antes de Helena, ouve Callie, por quem Stefan se apaixonou e com quem viveu um conturbado romance. Dos dois irmãos, Damon é o de temperamento mais explosivo e de índole mais cruel. Mas embora Stefan pareça ser inofensivo, seu comportamento pacato foi adquirido através de muito esforço. O vampiro só conseguiu conter sua violência, abrindo mão do sangue humano. Mas basta ele ceder à sua sede para que se revele um monstro muito mais perigoso que seu irmão. Isso porque Stefan não tem o mesmo controle que Damon e uma vez entregue aos seus instintos, ele se torna uma fera incontrolável.