sexta-feira, 31 de março de 2017

Sete livros sobre relacionamento abusivo



Rose Madder

Ela, uma mulher sufocada por um casamento onde as agressões são rotina, ele um policial que se acha acima da lei. Depois de 14 anos de sofrimento, Rosie Daniels decide fugir daquela vida miserável, mesmo sabendo que não seria fácil escapar do marido. Porém ela deixa rastros e Norman, como policial, conhece os truques para segui-los. King soube muito bem abordar o tema do relacionamento abusivo e o livro é excelente nessa parte. Porém, o que faz a obra ser tão criticada pelos fãs é a inserção de elementos de fantasia, que destoaram de toda a abordagem inicial. Se a trama seguisse apenas o caminho do suspense seria um dos melhores livros do autor.


Duas Mulheres

Susan é uma mulher que não prima pela beleza, é feia e gorda e seus únicos atrativos são os belos seios. E é exatamente isso o que ela representa para Barry, seu namorado. Um par de seios e o ingresso para um mundo em que ele deseja entrar. O mundo da marginalidade, onde o pai da garota é uma celebridade. Mesmo antes do casamento ele já mostrou sua verdadeira face chegando atrasado na cerimônia porque estava transando com uma prostituta, e o que é pior, na companhia do sogro. E após trocarem as alianças, foi que Barry transformou a vida da esposa num inferno. Espancava-a diariamente pelos motivos mais banais, mal colocava comida na mesa e ainda passava noitadas na companhia de qualquer uma que lhe desse bola. Um relacionamento que se tornou uma verdadeira catástrofe não apenas para o casal, mas para toda sua família.


No Escuro

Quando conhece Lee, Catherine constata que ele é motivo suficiente para abandonar sua boa vida de solteira e mergulhar nessa relação com esse homem lindo, sedutor e carinhoso, que conquista não só a ela, mas também às suas amigas. Mas logo ele se mostra exageradamente controlador, isolando-a e transformando lentamente sua vida num tormento. E o que é pior, quando pede ajuda ninguém acredita nela. Como poderia o príncipe encantado de pouco tempo atrás ter se transformado no monstro que Catherine pinta. Sozinha, ela trava uma luta contra um inimigo que conhece como ninguém suas fraquezas e quando ele finalmente se afasta, um dos efeitos colaterais dessa relação é um abalo psicológico tão forte que a faz desenvolver um transtorno obsessivo compulsivo. E quando decide reagir e recomeçar a sua vida, Lee ameaça voltar.


Amor Amargo

Alex é uma menina carente, insegura e com baixa autoestima. Por isso, quando Colin, o atraente aluno novo, começa a lhe dar bola ela mal consegue acreditar. Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade. O livro fala de uma relação abusiva entre un casal de adolescentes e explora muito bem o que motiva algumas mulheres a não reagirem diante da violência, permanecendo naquele círculo vicioso.


Instinto Assassino 

Baseado num fato real que causou estardalhaço nos tribunais esse livro foi escrito pelo promotor que trabalhou no caso. Dr. Patrick Henry era um médico respeitado na cidade em que vivia e ao se casar com Cristina Henry, conseguiu esconder sua verdadeira índole durante anos. Mas isso não quer dizer que ela tenha vivido uma rotina pacífica e segura dentro desse período. Cristina passou por diversas situações em que sua vida ficou em risco sem nem desconfiar que esses acontecimentos, aparentemente acidentais, eram planejados pelo próprio marido. Henry lhe preparava armadilhas e a submetia a situações torturantes, sem que a mulher percebesse a sua autoria. Até que descobriu a verdade e aí as coisas ficaram bem piores.


A Reunião

Recuperada de uma depressão, Sabine tenta retomar sua rotina normal ao voltar para seu trabalho. Mas o convite de uma reunião entre os seus antigos colegas revolve um mistério daquela época: o desaparecimento de Isabel, sua amiga de infância, um mistério nunca solucionado. Nessa mesma ocasião ela reencontra Olaf, amigo de seu irmão desde aquela época. Olaf é charmoso, simpático, bonito e cobiçado por sua chefe. É por isso que Sabine se espanta quando ele começa a paquerá-la, justo ela, uma moça tão sem atrativos. Mas logo a moça descobre que seu novo namorado tem um lado possessivo e, temendo que o abuso psicológico evolua para a violência fica, ela decide se distanciar, o que só serve para piorar a situação.


Dormindo Com o Inimigo

Desde os anos 90 que eu sou apaixonado por esse filme, mas só há pouco tempo descobri que o livro havia sido lançado no Brasil. Sabia que era baseado numa obra literária, mas achava que nunca houvesse sido lançado aqui. Conta a história de Sara, casada com um homem metódico, controlador e muito violento que, cansada de viver naquela bolha encena a própria morte e foge. Mas seu plano não é infalível e não tarda para que o marido saia à sua procura. A essa altura ela já está envolvida com um jovem artista que representa a antítese de tudo o que a oprimia em sua relação anterior. E ser encontrada pelo marido representa não só o fim desse novo romance, como o de sua própria vida.


quinta-feira, 30 de março de 2017

Glória Mortal - J.D. Robb

Sinopse

A primeira vítima foi encontrada caída na calçada, na chuva. A segunda foi morta no próprio prédio onde morava. A tenente Eve Dallas, da Polícia de Nova York, não teve dificuldades para encontrar uma ligação entre os dois crimes. As duas vítimas eram mulheres lindas e muito bem-sucedidas, mas que mantinham relações que poderiam provocar suas mortes. Suas vidas glamourosas e seus casos amorosos eram assunto na cidade, assim como suas relações íntimas com homens poderosos.

Resenha

Depois de um ano resolvi dar andamento à série mortal de J.D. Robb, pseudônimo de Nora Roberts. Não que não tivesse gostado do primeiro livro, mas não é um tipo de série que tenha me deixado louco para ler cada volume. Como a autora é mais conhecida pelos seus livros românticos, antes de começar achava que a parte policial seria só um pretexto para mostrar o romance entre a detetive Eve Dallas e o milionário Roarke, mas a trama policial fica em primeiro plano e é muito bem conduzida, o que me decidiu a continuar acompanhando a série.

Cada vez gosto mais de Eve Dallas, uma mulher que, apesar do passado sofrido, não se vitimiza. Pelo contrário, as dificuldades pelas quais passou somente a deixaram mais forte. Exceto quando se trata de Roake, o milionário por quem se apaixona. Eve é muito cautelosa em não se jogar de vez nesse romance. Roarke é o tipo de herói idealizado, lindo, rico, poderoso e apaixonado. Ou seja, tudo o que uma mulher deseja e por isso mesmo ele parece bom demais para ser verdade. Eve ainda reluta em se envolver, mas nesse livro a achei mais solta, curtindo melhor a relação, o que não a impede de dar o sinal vermelho à cada avanço mais ousado que seu amante dê no sentido de estabelecer um compromisso.

Uma coisa que me desagrada na série é sua ambientação no futuro, a partir do ano de 2058. Apesar de ser um diferencial, esse é pra mim o maior defeito da série. Sempre que se mencionavam androides, viagens interplanetárias e geringonças esdrúxulas o clima de suspense esfriava pra mim. Sei que a mistura de policial e ficção científica já rendeu ótimos livros policiais, mas no caso da série mortal eu não curti. No primeiro livro ela pegou mais leve e muitas vezes nem parecia que a história se passava no futuro, mas nesse a ambientação me incomodou. Acho que a trinca romance/suspense/ficção científica não casou.

Quanto à trama policial, que para mim é o mais importante, desta vez achei a investigação muito mais empolgante e menos previsível que no primeiro livro. Apesar de haver mais de uma vítima o enredo fica muito mais focado na primeira delas e em sua família. A autora compõe muito bem cada personagem e explora muito bem as relações familiares. A investigação revela os podres de cada membro da família o que só vai gerando mais conflitos entre os suapeitos e a tenente Eve Dallas. O final foi bem surpreendente, apostei numa pessoa como culpada, mas a autora levou a trama para um caminho totalmente diferente do que eu pensava, o que achei demais. Fico um pouco frustrado quando acerto o assassino. Gostei da leitura, nada muito vibrante, mas escrito com competência.



terça-feira, 28 de março de 2017

Max - Sarah Cohen-Scali


Sinopse

Max é o protótipo perfeito do programa "Lebensborn" iniciado por Himmler, o comandante supremo da temível SS. Mulheres selecionadas pelos nazistas dão à luz os primeiros representantes puros da raça ariana, destinados a regenerar a Alemanha depois que a Europa estiver ocupada pelo Terceiro Reich. Konrad, como ele é rebatizado, cresce sem mãe, sem afeição ou ternura, de acordo com os preceitos educacionais nazistas. Aos 6 anos ele é levado para Kalish, uma "escola" para crianças polonesas que passaram pelo filtro racial SS. É ali que conhece Lukas, um judeu polonês rebelde, mas com todas as características físicas de um ariano e pela primeira vez na vida se sente ligado a outro ser humano. A partir desse momento, suas crenças nazistas começam lentamente a desmoronar. Max sofrerá muitas provações e passará a ver o mundo de uma forma diferente, até o final apocalíptico da Segunda Guerra Mundial.

Resenha

Quem me acompanha sabe o quanto gosto se ler sobre a Segunda Guerra Mundial, principalmente quando o enfoque é o nazismo. E fuçando num prateleira da Saraiva dedicada a esse assunto, acabei encontrando essa joia da qual nunca havia ouvido falar, mas que me fascinou pela sinopse. Como há muitos livros escritos sobre essa horrível passagem da história da humanidade, é difícil encontrar alguma obra que traga algo de realmente novo. Porém Max me surpreendeu por apresentar a história de uma criança do Reich de maneira totalmente inusitada. A começar pela abordagem nada convencional. O livro é narrado pelo próprio Max, desde antes de seu nascimento, até a idade de nove anos. 

No início o livro é uma espécie de crônica da vida no lar das crianças Lebensborn, o local onde seriam criados os representantes da raça ariana pura, preparada desde o nsscimento para servirem ao Terceiro Reich. A autora explora o drama das mães que são levadas a gerar bebês dos quais terão de se separar assim que a amamentação não for mais necessária. Expõe a crueldade daqueles que comandam o lugar, o rigor com o qual doutrinam as crianças, punindo com castigos físicos qualquer sinal de fraqueza dos futuros soldados de Hitler. Mostra a frieza com a qual eles dispõe de vidas humanas.

Max foi um personagem que em alguns momentos eu odiei, mas que muitas vezes me divertiu com sua narrativa. Na maioria das vezes com um ridículo tom de superioridade, em alguns momentos repleta de humor negro, em outras de uma inocência tocante. Uma criança condicionada a acreditar nos ideais do terceiro reich, e que acabou por se tornar uma caricatura dessa própria ideologia. Max se achava superior não apenas aos judeus, mas aos seus próprios colegas arianos. Acreditava ser o filho de Hitler. Tripudiava sobre a fraqueza de seus companheiros. Mas no fundo era uma criança sedenta de afeto, que nunca soube o que era ter um vínculo com outro ser humano, que usava sua couraça de arrogância para impedir que sua solidão abrisse uma brecha em sua alma. 

Até que com a chegada de Lukas, ao internato sua vida tem uma grande virada. O pequeno judeu, que tem as caracteristicas físicas de um ariano, opera uma grande mudança em Max. Nesse ponto, a narrativa também ganha um novo ritmo, deixando de ser um relato sobre a vida na "escola", para se desenvolver e ganhar mais ação. Pontuado por diversos acontecimentos históricos, o livro fica mais empolgante à cada capítulo, revelando os horrores da Alemanha nazista através dos olhos de uma criança que aos poucos vai perdendo a inocência. A saga de crianças perdidas num mundo despedaçado. Um livro que merece ser lido e que, acredito, seja capaz de agradar qualquer público.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Sete autores de gente grande que se aventuraram na literarura juvenil



Harlan Coben

Nessa trilogia voltada para o público juvenil, Harlan nos traz como protagonista o adolescente Mickey Bolitar, sobrinho de seu famoso detetive Myron. Um garoto ranzinza, que consegue o quase impossível feito de não gostar do tio. Difícil compreender alguém assim, deve ser o máximo ser sobrinho de Myron Bolitar. Harlan levou para a literatura juvenil todo o seu estilo irreverente, suas tramas mirabolantes, repleta de mistérios e muitas reviravoltas.

George R.R. Martin

Na década de oitenta, muito antes do sucesso de As Crônicas de Gelo e Fogo, George R.R. Martin, reuniu os colegas de RPG e levaram suas invenções de jogos para a literatura. A série se trata de um universo de super heróis que adquiriram seus poderes após sobreviverem a um vírus logo após a Segunda Guerra Mundial,
mostrando o impacto de criaturas com superpoderes na história e com os personagens envelhecendo em tempo real. Atualmente a série de livros conta com mais de vinte volumes, mas George tem colaborado bem pouco como autor e mais como organizador.


John Grisham

O consagrado autor de suspense judicial, presenteou o público jovem com essa série narrando as aventuras de Theodore Boone, um garoto de 13 anos que sonha se tornar advogado. O garoto vive às voltas com a investigação de crimes, arriscando sua vida em aventuras repletas de mistério, ação e muitas reviravoltas. Tudo, é claro, ambientado no mundo dos tribunais.


Stephen King

Stephen King escreveu esse livro para sua filha, ainda criança, que não gostava de histórias de terror. Porém o livro é muito mais um romance jovem adulto do que um livro infantil. Uma história vibrante, cheia de intrigas, que fala sobretudo de lealdade e traição. E, como brinde ainda temos a participação mega especial de Randal Flagg, vilão que tocou o terror em A Dança da Morte e na saga A Torre Negra, desta vez na pele de um mago ambicioso que semeia a discórdia na família real para que assim continue governando nos bastidores do poder. É um livro épico, que está entre meus preferidos do King, diversão para qualquer idade.


Sidney Sheldon 

Sidney lançou essa coleção de seis volumes em 1993, dando ao público infanto juvenil uma amostra de seu talento em criar tramas que prendem o leitor. Por motivos óbvios, Sheldon deixou de lado as cenas de sexo, as paixões arrebatadoras e as intrigas políticas mas seu estilo inconfundível permaneceu em cada página. Os livros são bem ingênuos, mais infanto do que juvenis, principalmente para os dias atuais. Mas se quiserem viciar qualquer criança na leitura de thrillers, deem um desses para ela ler.


Steven James

 Fiquei pasmo ao descobrir que Steven James, autor da série policial Os Arquivos Bower, havia escrito um livro de suspense sobrenatural juvenil. Nada contra, pelo contrário, mas é tão diferente de seu estilo que fiquei impressionado com sua versatilidade. Na trama, o adolescente Daniel Biers tem uma apavorante distorção da realidade durante o velório de uma jovem que morreu afogada. A garota se levanta do caixão, agarra-lhe o braço e pede que ele descubra a verdade sobre sua morte. À beira da loucura e sem saber como lidar com sua mente cada vez mais dilacerada, Daniel precisa desvendar depressa o mistério, pois pode haver um assassino à solta em Beldon. Distorção é o primeiro livro de uma trilogia.


Dean Koontz

Dean, conhecido por suas histórias de suspense e terror não fugiu ao seu estilo ao se enveredar na literatura juvenil, mas incrementou as tramas com um empolgante ritmo de aventura. Odd Thomas é um jovem cozinheiro de uma cidadezinha californiana que tem o dom de ver os mortos. No primeiro livro da série, ele é alertado de uma grande catástrofe mundial e se lança numa aventura para impedir. É uma pena que dos sete livros da série, apenas quatro chegaram ao Brasil, mas como são histórias independentes, dá pra se ler numa boa.



terça-feira, 7 de março de 2017

Sete mulheres que sacudiram a literatura



Clarice Lispector

Nascida na Ucrânia, Clarice veio para o Brasil com dois anos de idade devido à crescente perseguição aos judeus. Ela se definia como tímida, mas ousada ao mesmo tempo, não se fazendo de rogada ao divulgar sua arte. Chegava nos jornais dizendo: "Eu tenho um conto, você não quer publicar?”. Até que uma vez levou um texto ao editor Raymundo Magalhães Jr. que olhou, leu um pedaco e disse: “Você copiou isto de quem?”. Ela respondeu: “De ninguém, é meu”. Ele disse: “Então vou publicar”. Assim começou a carreira de uma das mais importantes escritoras do século vinte. Sua obra narra principalmente a vida cotidiana simples em contraste com tramas de forte enfoque psicológico. Clarice não se considerava uma intelectual, pois se dizia movida pela emoção.


Mary Shelley

Foi numa noite de verão em 1831 que tudo começou. Sentados em torno de uma fogueira numa propriedade à beira de um lago em Genebra, um grupo formado por Lorde Byron, o jovem médico John William Polidori, amante do poeta, o escritor Percy Shelley e sua mulher Mary se divertiam lendo histórias alemãs de fantasmas, fazendo com que Byron sugerisse que cada um escrevesse o seu próprio conto sobrenatural. Nenhum deles levou à serio a brincadeira, mas Mary concebeu aí a ideia de Frankenstein, no início um história curta, mas com o incentivo do marido, se tornou um romance, publicado em 1818. Com ele, além de escrever um clássico do horror, Mary deu origem à uma criatura que se tornou um ícone da cultura pop.


Emily Bronte 

Embora mal compreendido pela crítica na época de seu lançamento, devido ao seu clima sombrio, O Morro dos Ventos Uivantes se tornou um clássico e influenciou gerações de escritores, permanecendo até hoje, 170 anos ainda muito vivo no mundo editorial. Irmã das também escritoras Charlotte e Anne Brontë, foi a quinta dos seis filhos que tiveram Patrick Brontë e Mary Branwell. Na casa dos Brontë trabalhava Thabitha, uma empregada que costumava contar histórias às crianças (que mais tarde foi homenageada com a fiel personagem Nelly Dean, na obra de Emily) e o mundo do faz de conta aumentou o interesse dos irmãos pela leitura. Embora tenha escrito alguns poemas, O Morro dos Ventos Uivantes foi o único romance de Emily, talvez a mais introspectiva, arredia e solitária das irmãs Brontë.


Charlote Bronte 

Enquanto sua irmã Emily se enveredava pelo estilo mais romântico, lúgubre e melancólico, Charlotte Bronte seguiu por um caminho mais ousado com sua obra Jane Eyre, cuja protagonista quebrou vários estereótipos. Quanto à autora, um fato que a marcou demais foi o período em que viveu numa escola do clero, enviada para lá por sua tia, onde as condições eram tão precárias que duas de suas irmãs tiveram a saúde gravemente afetada, morrendo um ano depois de tuberculose, doença que também levou Emily Bronte, sua irmã mais famosa, anos mais tarde. A vivência nesse internato foi descrita em várias de suas obras. Apesar de inovar na literarura Charlotte era politicamente conservadora, tendendo mais para a tolerância em vez de revolução. Tinha um senso moral muito forte, mas apesar de tímida, sabia muito bem defender seus ideais.


Virginia Woolf

Filha do escritor, historiador, ensaísta e biógrafo de Sir Leslie Stephen, Virgínia teve uma vida emocional conturbada devido ao transtorno bipolar, cuja origem pode ter sido tanto dos rumores de abuso por parte de seus meio irmãos, quanto de uma predisposição hereditária. Em cinco de maio de 1895, quando morreu sua mãe, Virginia, então com 13 anos, sofreu seu primeiro colapso mental. Woolf começou a escrever profissionalmente em 1900 com um artigo jornalístico sobre Haworth, a casa da família Brontë, para o Times Literary Supplement.  Ficou conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo, exprimindo em sua obra toda a amargura escondida sob o verniz da sociedade. Morreu em 1941, tendo cometido suicídio.


Simone de Beauvoir

Desde que nasceu Simone fora cumulada de carinhos da família. Por isso, ninguém poderia supor que aquela menina mimada se tornaria a maior defensora da emancipação feminina. Não aceitou casar-se, desprezava os valores da sociedade burguesa e indignava-se com o fato do aborto ser considerado um crime. Suas ideias a assomavam de maneira tão intensa qua ela sentia uma necessidade imensa de passá-las para o papel, foi quando ganhamos uma formidável escritora, além de uma intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa.


Agatha Christie 

Num mundo dominado pelos homens ela se tornou um dos maiores nomes da literatura policial, alcançando o título de Rainha do Crime. Mas seu grande feito não foi apenas fazer tanto sucesso, ou mais, do que seus antecessores. Agatha revolucionou as novelas trazendo algo novo ao método investigativo, dando mais enfoque a uma sondagem psicologica do que à pistas físicas. Um fato curioso na vida da escritora, foi seu desaparecimento em 1919, logo após se separar do marido. Agatha passou dias desaparecida, até ser localizada num hotel, registrada sob o nome da amante de seu marido. A escritora alegou amnésia, mas muitos especularam se tratar de seu sumiço se tratar de um plano para se vingar do marido ou apenas um golpe publicitario. Agatha morreu em 1976 e até hoje permanece como a maior dama do romance policial.




quarta-feira, 1 de março de 2017

Valsa Maldita - Tess Gerritsen


Sinopse  

No ambiente frio e sombrio de um antiquário em Roma, a violinista americana Julia Ansdell depara com uma partitura intrigante — a valsa Incendio — e é imediatamente atraída pela peculiar composição. Determinada a dominar a obra complexa, Julia decide ser o instrumento que fará com que sua melodia seja ouvida. Já de volta à Boston, no instante em que o arco de Julia começa a ser deslocado pelas cordas do violino, a música parece exercer um efeito inexplicável e macabro sobre sua filha pequena, que se mostra drasticamente transformada. Convencida de que a melodia hipnótica de Incêndio está desencadeando uma maldição, Julia decide investigar a história por trás da partitura e encontrar a pessoa que a compôs. Suas buscas a levam à milenar cidade de Veneza, onde Julia descobre um segredo sinistro de várias décadas envolvendo uma família perigosamente poderosa que fará de tudo para impedir que ela revele a verdade ao mundo.

Resenha

O livro é dividido em duas épocas. No presente, a história de Julia, e todo seu drama envolvendo a descoberta de uma partitura antiga, o comportamento estranho de sua filha e todas as implicações que isso traz. No passado, a história é ambientada na Itália da Segunda Grande Guerra, tendo protagonista o jovem Lorenzo, um violonista judeu que vive o início de um romance com a voluntariosa Laura, abortado pela súbita perseguição ao seu povo em Veneza. Ou seja, o livro trata de dois dos temas que mais gosto de ler: a maldade infantil e os horrores do nazismo. Sem falar na música, que é o denominador comum entre as duas narrativas.

Eu simpatizei de cara com a protagonista. Uma mulher talentosa, apaixonada pela música e acima de tudo prática. Assim que desconfia de que sua filha apresenta um desvio de personalidade, ela encara a situação de frente, não fica de mimimi, tapando o sol com a peneira como é comum com as mães nesse tipo de livro. Ela assume que a filha é um perigo para todos ao redor, sofre com isso é claro, mas toma logo uma atitude e procura um psiquiatra. Quanto à suas suspeitas em relação à partitura que adquiriu em Veneza, ela também enfrenta a situação e se lança numa investigação sobre a origem da  misteriosa valsa.

Mas se a narrativa atual é repleta de um irresistível suspense psicológico, com uma heroína travando uma batalha solitária para provar aquilo em que só ela acredita, a história de Lorenzo é uma tocante história de amor que aos poucos vai sendo sufocada pela coerção aos judeus na Itália de Mussolini. Como sempre acontece nesse tipo de narrativa, o terror vai surgindo aos poucos, com os judeus sofrendo pequenas restrições, até o inferno se instalar em suas vidas. A autora explora muito bem o drama de famílias separadas, sofri muito com os personagens, arrastados para toda aquela miséria humana. Para quem está acostumado com livros sobre o nazismo, há poucos elementos novos, mas os relatos não deixam de ser dramáticos.

Já na narrativa do presente, achei o livro corrido demais em alguns trechos. Algumas cenas deveriam ser mais bem trabalhadas. O livro é muito curto, duzentas e cinquenta páginas. Se tivesse umas cinquenta a mais, daria para saborear melhor o clima de suspense. Mas, por outro lado, não há enrolação. Tanto no passado quanto no presente a ação é ininterrupta. Durante toda a narrativa fiquei curioso para saber qual a relação que havia entre as duas histórias, além da música, que era a paixão dos protagonistas. Esse é um dos trunfos do livro, te deixar intrigado em saber como narrativas tão diversas, em épocas tão distantes uma da outra, vão convergir.

A explicação sobre um dos mistérios do livro, envolvendo a perturbação da filha de Julia me deixou de queixo caído tamanha a sua simplicidade. Em poucos parágrafos Tess arrematou algo que parecia muito complexo e de uma maneira muito convincente. Tudo bem que a solução é algo batido em alguns tipos de livros de suspense, mas eu fui pego desprevenido. Sofri tanto com as desventuras de Julia, estava tão imerso em sua busca pela verdade, que nem cogitei uma solução daquela. Terminei o livro já sentindo saudade dos personagens. O suspense é muito bom, mas o que me impressionou mesmo foi a linda e dilacerante história de amor e separação envolvendo Lorenzo, sua família e sua amada Laura. Um relato de extrema poesia em meio a um dos mais sombrios episódios da história da humanidade.

Curiosidade 

A valsa Incendio, mencionada no livro foi composta pela própria Tess Gerritsen (sim, ela também é musicista, além de médica e escritora) e dá pra ouvir uma parte no site da autora, o problema é que o trecho é só de um minuto e não dá pra ouvir as arrepiantes notas finais que são citadas no livro. Mas encontrei-a inteira no youtube, executada pela própria Tess. Confesso que fiquei com um pouco de medo de ouvir, mas valeu pena, traduz toda a melancolia do livro. Segue o link para a valsa Incendio.