sexta-feira, 23 de junho de 2017

Coração de Aço - Brandon Sanderson


Sinopse

Tudo começou com Calamidade, que surgiu nos céus como uma estrela de fogo, e que ninguém sabe o que é realmente. Seus efeitos, entretanto, podem ser sentidos algum tempo após seu surgimento: pessoas comuns passam a ter poderes que desafiam as leis da física e da lógica. E surge: os nomeados Épicos não apenas se tornam poderosos, mas parecem perder toda sua humanidade no processo, deixando o resto da população à mercê de suas vontades. Dentre eles o mais poderoso é Coração de Aço, um ser invulnerável a qualquer tipo de ataque e com capacidade de manipular e transformar objetos inorgânicos em metal, que decide tomar a cidade de Chicago e ali estabelecer seu império. Dez anos se passam e os Épicos governam com poder absoluto. Não existe nada e ninguém que possa impedi-los. A exceção a essa regra são os Executores, humanos normais, munidos de tecnologia de ponta que se utilizam de táticas de guerrilha para derrubar e matar o maior número possível de Épicos. E o grande objetivo de David, um jovem criado em um orfanato de Nova Chicago é juntar-se aos Executores e destruir Coração de Aço, o homem que matou seu pai e mudou sua vida para sempre.

Resenha 

O autor usou um elemento clássico das histórias em quadrinhos, mas ao invés de seguir por um caminho lúdico, onde o poder é usado de maneira nobre, mandou a real usando aquela tão conhecida máxima de que se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Brandon nos apresenta um mundo assolado pelo desmandos dos Épicos, pessoas que ganharam super poderes e passaram a oprimir os seres humanos comuns. As pessoas vivem escondidas como que em estado de sítio, esgueirando-se pelos subterrâneos da cidade, tentando sobreviver num mundo onde até mesmo a luz do sol lhes foi roubada.

Mas nem todos se curvam pacificamente ao poder implacável dos Épicos. Há seres humanos que resistem e, mesmo sem nenhum poder especial, se dedicam a levar esse reinado de super humanos à ruína. Eles são os Executores. E é planejando se tornar um deles para vingar a morte de seu pai que David passa sua vida estudando essas criaturas. Achei o protagonista um garoto adorável. Mesmo em sua obsessão em encontrar a fraqueza de seu inimigo ele não perde sua boa índole, sua ética e muito menos seu humor. Sua mania de criar metáforas é impagável e muito mais divertida ainda é sua reacão quando alguém faz uma metáfora melhor que a dele. Já Megan, que seria seu par romântico na história, é um verdadeiro porre. Garota chata, mal humorada, que se ressente de cada atitude de David, principalmente ao perceber que ele está ganhando a confiança de Professor, o líder dos Executores. Não consegui torcer pelo casal.

É muito bacana acompanhar o convívio entre os Executores, seus pequenos conflitos, os maneirismos de cada personagem e desvendar pouco a pouco seu passado. Mas fantástica mesmo é a maneira como eles descobrem a fraqueza de cada Épico, na maioria das vezes através das anotações de David. O grande trunfo do livro é justamente o mistério que há em torno do ponto fraco de cada Épico e a maneira engenhosa como os Executores usam essa fraqueza para destruí-los assim que as descobrem. Cada cena de ação é um turbilhão de adrenalina.

Uma decepção foi descobrir que Coração de Aço tem uma participação bem pequena no livro. Ele é mencionado durante toda a narrativa, conhecemos através dos diálogos dos personagens as histórias de horror que envolvem o Épico, mas como a narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de David, o vilão quase não aparece. Porém, compreendo que o mistério envolvendo o vilão, principalmente qual é sua fraqueza, é o maior atrativo do livro e, conhecê-lo com mais intimidade poderia tirar seu fascínio. E um ponto que me incomodou bastante foi uma informação sobre os Executores que é revelada nas páginas finais. Não posso dar detalhes sob risco de spoilers, mas foi algo que contrariou a premissa do livro. Tirando esses pequenos detalhes o livro é incrível, com um confronto final espetacular, sem falar na revelação genial sobre a tão intrigante fraqueza de Coração de Aço. Quero muito ler toda a trilogia.





quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys


Sinopse

1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos.

Resenha

Diferente da maioria dos livros sobre a Segunda Guerra, que se focam mais na Alemanha e nos horrores do nazismo, A Vida em Tons de Cinza fala sobre a invasão da Rússia aos países bálticos, o que deu início à União Soviética. Através da tocante história de uma família lituana deportada para a Sibéria, a autora relata toda a violência que serviu de prólogo para uma era de horror que tomou conta desses países.

Lina é uma adolescente de quinze anos, apaixonada pela arte, que retrata seus sonhos, anseios e paixões através de seus desenhos. Até que a brutal chegada dos russos interrompe sua vida até então perfeita. O livro já se inicia com a casa de Lina sendo invadida pelos soldados, que sem nenhuma explicação, arrastam sua família como animais para a carroceria de um caminhão, 
lançando-a numa verdadeira jornada rumo ao inferno.

A narrativa se divide em três partes. A viagem de trem que os prisioneiros de guerra fazem rumo a um campo de trabalho. A chegada e instalação deles nesse campo. E sua expatriação para a Sibéria, ou seja, para o fim do mundo. De todas as fases do livro, a melhor, mais dramática e envolvente é quando eles estão no campo de trabalho. Lá as relações entre os personagens se consolidam. Os prisioneiros criam fortes laços de amizade e essa é a única arma que eles têm contra os russos. A união lhes dá força para enfrentarem o frio, a fome e o desespero. Cada personagem reage de modo diferente diante das adversidades. O " Careca", com seu pessimismo; Jonas, no início uma criança inocente, mas que em pouco tempo amadurece e enfrenta com resiliência um sofrimento que parece não ter fim; Andrew com sua integridade, coragem e força; Elena
com sua dignidade inabalável. E a própria protagonista Lina, com sua inesgotável esperança, a despeito da realidade lhe dizer a todo instante que deve desistir. Uma artista que busca refúgio em seus desenhos, nos quais retrata toda aquela miséria humana.

A autora tem um texto sensível, transmitindo uma profunda melancolia conforme narra diversos tipos de violência que os personagens sofrem. Não é um livro deprimente, mas comovente. É difícil segurar o choro ao ler sobre as condições sub humanas nas quais aquele povo vivia. O livro faz refletir muito sobre a natureza humana. Será que a guerra, as adversidades e, principalmente, a impunidade nos transformam em monstros ou apenas revela quem somos de verdade? Afinal os russos são considerados os mocinhos na Segunda Guerra, são quem ajudaram os aliados a derrotarem a Alemanha. E no entanto seus soldados invadiam propriedades e escravizavam os cidadãos, agindo com uma crueldade repugnante. Mas assim como a autora explora esse lado vil da humanidade, também exalta a nobreza de sentimentos, falando de fraternidade, amor e perdão. Uma triste, mas linda homenagem a esse povo que mesmo após o fim da guerra teve de guardar silêncio durante décadas sobre esse episódio tenebroso.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sete livros que me assombraram

Alguns livros fazem mais do que nos emocionar, intrigar, desafiar ou mesmo nos horrorizar. Eles causam reações quase físicas tamanho o impacto que tem sobre nós. E mesmo que sejam passageiras (graças a Deus), essas sensações tornam a leitura marcante em nossas vidas.


Quando os Adams Saíram de Férias

O livro conta a história de uma babá que ao acordar se descobre amarrada à cama por um grupo de crianças, aquelas que ela cuida e seus amigos. Até então isso não parece nada assustador, apenas uma brincadeira inocente. Mas conforme o tempo vai passando e a brincadeira de mau gosto vai dando lugar à torturas físicas eles percebem que foram longe demais e o medo das consequências os impede de soltar a jovem. O que me causou mal estar durante a leitura foi a frieza dessas crianças, principalmente da mais velha, que na verdade era uma adolescente. O livro transmite uma desesperança tão grande na raça humama, que fiquei deprimido durante dias e me desfiz da edição que eu tinha. É um livro que, apesar de entreter, te faz mal, parece que rouba sua fé na humanidade. Não leria de novo.


Fábrica de Vespas

É a história de um garoto que apresenta sinais de psicopatia e uma de suas primeiras vítimas é justamente uma criança de cinco anos. A execução desse crime foi a cena mais dolorosa que li nos últimos tempos. À medida que os planos do jovem assassino progrediam e eu via aquela criança se encaminhar para uma armadilha, entrei em desespero, pois não queria ler aquilo. E o que torna aquele ato tão repulsivo é a maneira como o psicopata se usa da inocência dessa criança para cometer sua atrocidade.


Represália

Outra história de horror envolvendo uma criança. Esse livro faz parte da quadrilogia O Ciclo do inimigo, que fala sobre uma criatura maligna que eventualmente surge na Terra para cometer suas terríveis atrocidades. Apenas o último não chegou ao Brasil, mas de todos os que li Represália é o que mais me impressionou. O livro tem um suspense psicológico dos mais bem elaborados e explora com  perversidade um relacionamento sadomasoquista entre uma solteirona e um rapaz misterioso. Quando falo em sadomasoquismo, não é no sentido sexual, mas psicológico. Essa relação doentia torna a leitura fascinante, mas o que me assombrou no livro foi um episódio que não tem muita relação com o tema principal: a cena de uma criança sendo enterrada viva. A atmosfera de terror que cerca esse momento do livro é de causar arrepios e entre tantas maldades cometidas pelo vilão ao longo da saga, foi a que mais me marcou.


Misery

Sei que Stephen King tem livros muito mais assustadores do que esse, mas o que, na minha opinião, torna Anne Wilkes muito mais temível que qualquer vilão sobrenatural de King é que ela é real. Ela existe sob muitos nomes diferentes por aí. É possivel que tenhamos cruzado com dezenas dela ao longo da vida sem perceber. Pessoas sádicas, mergulhadas tão profunfamente em seu egocentrismo que são capazes de de torturar outro ser humano para conseguirem o que querem. Traduzido no Brasil nos anos oitenta como Angústia, teve nesse título o mais apropriado, pois o livro passa essa exata sensação, ao narrar os momentos de tortura que uma vítima indefesa passava nas mãos de um calamidade em forma humana. Leitura maravilhosa, mas fiquei aliviado quando terminou.


Os Condenados

É uma história de fantasma, na qual o jovem Danny Orchar escapa vivo de um incêndio, mas sua irmã gêmea Ash não tem a mesma sorte e retorna do mundo dos mortos para infernizar a vida de seu irmão. Livros com temas sobrenaturais costumam me assustar menos do que histórias realistas, essa lista é um bom exemplo disso. Mas ocasionalmente me deparo com exceções e foi o caso da obra de Andrew.  Ash é uma garota perversa, que emana maldade e de maneira sutil manipula as pessoas para satisfazer seu sadismo. E se viva ela já era assustadora, depois de morta ela se torna uma praga. Ela não dá trégua às suas vítimas, perturbando-os a todo instante, causando pequenos acidentes que tiram a paz de toda uma família. Sem falar em suas aparições, que são terrificantes. Apesar do autor não se importar muito com estilo, em criar atmosferas, a naturalidade de seu texto, a assertividade em suas descrições, ele usa de poucas palavras pra descrever um cenário, mas é muito preciso, são arrebatadores o suficiente. Uma leirura que me deixou apreensivo.


Tannöd

Baseado num fato real, conhecido pela imprensa como o misterioso caso dos “Assassinatos de Hinterkaifeck”, o livro fala sobre uma família  que é encontrada morta numa fazenda na Alemanha, a Tannöd do título. Não há qualquer indício do assassino e muito menos do motivo. Os moradores da região se perguntam o que aconteceu naquele lugar e o enredo se desenvolve através do ponto de vista de diversos personagens ligados de alguma forma à vítimas da tragédia. Foi um livro que me deu arrepios. O texto direto, como se algum conhecido estivesse lhe contando a história dá um tom de realidade muito forte à leitura, como se todo aquele horror houvesse acontecido bem próximo de você. E a ideia de uma família inteira ser dizimada, e ainda mais de maneira tão violenta, é muito desoladora. A atmosfera do livro é densa, um clima de terror, como se algo de sobrenatural pairasse sobre os acontecimentos, mesmo que saibamos que não se trata de uma obra de fantasia. Sempre tem alguém vislumbrando algum vulto, ouvindo sons estranhos, percebendo que há algo errado. Alguns trechos são de gelar o sangue. Uma leitura rápida, mas dilacerante.


A Invasão dos Ratos

Uma grande metrópole é atingida por milhares de ratos, que organizam um ataque orquestrado contra a população que fica à mercê de um inimigo que tem a vantagem de estar por toda parte. Ratazanas enormes, que não poupam ninguém em seus ataques de ferocidade. Essas criaturas estão por toda a parte e logo a cidade se torna refém desses roedores. Essa premissa já é o suficiente pra deixar qualquer leitor aterrorizado. E pra mim que tenho verfadeira ojeriza a esses bichos foi pior. As cenas em que as pessoas são encurraladas por essas criaturas e devoradas sem chance de defesa são de embrulhar o estômago. Um livro de horror explícito, cuja trama é de uma simplicidade genial, usando nada mais que o medo que nós temos de que essa praga urbana com a qual convivemos se transforme em nosso predador.







segunda-feira, 5 de junho de 2017

Diário de Uma Escrava - Rô Mierling


Sinopse

Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por  um maníaco. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é homem casado, trabalhador, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens, pois dentro de si uma voz afirma que é dele que elas precisam. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte.

Resenha

Diário de uma Escrava foi lançado originalmente no wattpad e bombou, ultrapassando a marca de um milhão de downloads. O tema, além de instigante como literatura é também de grande interesse social, afinal a naturalidade, pra não dizer descaso, com que o desaparecimento de jovens e crianças é tratado no nosso país é revoltante. O livro se divide entre a narrativa da protagonista, confinada num porão há anos após ser sequestrada por um maníaco, em primeira pessoa e a de vários outros personagens, entre eles muitas vítimas desse mesmo criminoso, em terceira pessoa. A narrativa de Laura, composta como se fosse um diário é forte, intensa e dolorosa de se ler. Uma narrariva fluída que discorre com desespero sobre os abusos constantes que a jovem sofre nas mãos de seu algoz. A solidão, a desesperança que vai aumentando conforme os anos passam e ninguém aparece para salvá -la, a sua reação de horror diante da infindável capacidade de seu captor em inventar novas maneiras de torturá-la, tudo isso é transmitido com tanto realismo que a leitura é sofrida. Não é um texto muito amadurecido, mas há um certo vigor na escrita.

Já a narrativa em terceira pessoa é muito tosca. Um texto fraco, inconsistente, apressado. As histórias das outras vítimas do maníaco até que são boas, mas são interrompidas abruptamente e não são mais retomadas. Ou seja, acabam não tendo relevância nenhuma no livro como um todo. É tudo muito entrecortado, com personagens superficiais e cenas mal escritas. Sem falar em alguns trechos em que a autora tenta passar emoção, mas o resultado é de um sentimentalismo que chega a ser cômico, como o do namorado lamentando o desaparecimento de Laura. Fiquei espantado com a falta de habilidade da a autora em manter o mesmo nível de escrita durante toda a narrativa, já que se trata de uma experiente profissional no mundo acadêmico.

Mas esses defeitos não teriam tanta importância se o livro pelo menos tivesse um enredo, o que não é o caso. É só violência, violência e mais violência. Às vezes parece que a autora não sabia mais o que inventar para chocar o leitor. Gosto de livros com crimes violentos, mas certas cenas precisam ter um propósito dentro da trama e não estar ali só pra causar impacto. O problema é que nesse livro não há uma trama. Não tem desenvolvimento, é a mesma sequência de agressões e abusos do começo ao fim. Tanto que muitas cenas poderiam ser descartadas e não influenciaria em nada no entendimento da narrativa.


Quanto ao desfecho, senti muita raiva num primeiro momento, mas ao ler as notas finais da autora, compreendi seus motivos por ter dado aquele destino à sua protagonista e acabei reavaliando minha opinião. A autora usou o final para abordar um aspecto muito mal compreendido no que se refere a reação das vítimas diante de um sequestro. Com exceção de uma coincidência absurda que acontece nas últimas páginas, o final foi uma das poucas coisas que se salvaram. O livro tem pouquíssimo conteúdo para tanto alarde. A autora pode até ter tido a intenção de fazer um protesto contra a indiferença com a qual o mundo trata o frequente desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil, mas acabou se perdendo por não ter uma boa história pra contar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Não Fale com Estranhos - Harlan Coben



Sinopse 

O estranho aparece do nada e, com poucas palavras, destrói o mundo de Adam Price. Sua identidade é desconhecida. Suas motivações são obscuras. Mas suas revelações são dolorosamente incontestáveis. Adam levava uma vida maravilhosa ao lado da esposa, Corinne, e dos dois filhos. Quando o estranho o aborda para contar um segredo estarrecedor sobre sua esposa, ele se questiona se tudo o que  construiu teria sido tudo uma grande mentira. Assombrado pela dúvida, Adam decide confrontar a esposa e a imagem de perfeição que criou em torno dela começa a ruir. Ao investigar a história por conta própria, acaba se envolvendo num universo sombrio repleto de mentiras, chantagens e assassinatos.

Resenha

Não preciso de nenhuma recomendação para ler um livro de Harlan Coben. É um dos meus autores preferidos e estava me sentido em débito com ele, pois estou bem desatualizado com suas obras. Deixei passar muitos de seus lançamentos, mas resolvi corrigir isso. Adquiri esse livro numa troca num sebo e o passei na frente de vários outros. O que me animou bastante na sinopse foi que ela não fazia menção a nenhum desaparecimento misterioso, elemento recorrente em suas obras. Não que isso me incomode, pois apesar dessa mania do autor em dar sumiço em seus personagens, suas tramas não se limitam a uma fórmula repetitiva. São histórias únicas, bem armadas e escondendo mistérios difíceis de desvendar.

O livro já começa tenso, com o protagonista sendo abordado por um estranho que lhe revela um segredo escabroso sobre sua esposa capaz de virar do avesso toda a harmonia de sua família. Achei Adam um personagem bem diferente dos protagonistas masculinos de Harlan. Um cara todo certinho, que põe em primeiro lugar o bem estar de sua família, muitas vezes cedendo até demais às vontades da esposa. O que não o torna fraco e sim uma pessoa flexível. Um homem íntegro, sensível e generoso.

No decorrer da narrativa vão surgindo outras tramas paralelas de pessoas vivendo o mesmo dilema de Adam, ou seja, descobrindo segredos horríveis sobre seus entes queridos através de um desconhecido. Essas outras histórias dão mais dinamismo à trama e me deram uma ideia do verdadeiro intuito desse estranho, que vive rondando pessoas de bem e arrasando com suas vidas. Até que um assasinato totalmente inesperado e brutal me desnorteou completamente. Não esperava que aquela pessoa fosse morta. E muito menos da maneira como aconteceu. O crime dá uma virada na trama e me deixou atordoado, porque não estava mais entendendo onde tudo aquilo ia levar.

Algumas coisas vão sendo resolvidas no decorrer da leitura, mas a solução final fica para as últimas páginas e vem de uma vez só, sem as costumeiras reviravoltas do autor. Desta vez Harlan segurou o esclarecimento do grande mistério até o final e o esclareceu de uma vez só, sem rodeios. Senti falta daquelas especulações que são feitas até chegar a solução verdadeira. Mas mesmo assim achei o desfecho bem surpreendente. As pistas estavam bem óbvias, mas viajei tanto na história que nem percebi. É um livro intenso, bastante violento, que mostra o quanto nossos erros podem se voltar contra nós ou pior, contra as pessoas que mais amamos. Quanto aos desaparecimentos, prefiro não dizer se acontece algum. Até porque isso nem importa tanto. É melhor vocês lerem e descobrirem.